A LINGUAGEM NO CÁRCERE: UM ESTUDO SOBRE AS GÍRIAS EM UMA PENITENCIÁRIA DO PARANÁ
DOI:
https://doi.org/10.5216/ia.v50i3.82325Palavras-chave:
Linguagem, Gírias, Cárcere, Teoria Histórico-CulturalResumo
Este artigo tem como objetivo analisar a influência da cultura prisional na construção da linguagem e como essa dinâmica impacta a constituição do sujeito encarcerado. Fundamentado na Teoria Histórico-Cultural de Vygotski (1993; 2000), o estudo utiliza a pesquisa bibliográfica e o relato de experiência profissional da primeira autora em uma penitenciária no interior do Paraná. O problema central consiste em compreender de que forma a cultura prisional molda e transforma a linguagem das pessoas privadas de liberdade. Os resultados indicam que as gírias utilizadas no cárcere não se limitam à comunicação, mas funcionam como instrumentos culturais e psicológicos que expressam pertencimento, mediação simbólica e resistência. Conclui-se que a linguagem, ao revelar processos de ressignificação e identidade, torna-se uma ferramenta de sobrevivência cultural e subjetiva em um espaço de silenciamento e exclusão.
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