Investimentos financeiros na ciência brasileira causam impactos na pesquisa de campo com anuros

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/rbn.v19iesp.74020

Palavras-chave:

anfíbios, produção científica, área de estudo

Resumo

A pesquisa de campo no Brasil, país com a anurofauna mais rica do planeta, pode estar em perigo após sucessivos cortes de investimentos em ciência na última década. O objetivo do nosso trabalho foi investigar o efeito do investimento público na produção científica relacionada aos estudos de campo com anuros entre 2010 e 2020. Nossa hipótese é que a redução do investimento em pesquisa nos últimos anos impactou a produção científica. Realizamos uma revisão sistemática buscando publicações na base de dados do Web of Science, parcialmente ou totalmente feitas em campo e no Brasil. Nossos resultados mostram que apesar da redução dos investimentos públicos, o número de publicações anuais aumentou. No entanto, um grande intervalo de tempo entre o trabalho de campo e a publicação sugere que as viagens de campo reduziram. Ressaltamos também diferenças significativas e superiores nos investimentos públicos e nacionais, de 75,4% e 78,12% respectivamente, sobre os investimentos privados e estrangeiros, apresentando uma relação linear positiva com o número anual de publicações. Além disso, reforçamos a importância da atuação das agências de fomento públicas nacionais nos estados e sugerimos que estudos futuros sejam realizados para monitorar o surgimento das publicações de acordo com seus respectivos anos de levantamentos de campo.

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Biografia do Autor

Alecsander Rasec-Silva, Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto de Ciências Biológicas, Goiânia, Goiás, Brasil,alecsanderrasec@discente.ufg.br

Possuo bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual do Piauí. E mestrado em Biodiversidade Animal, no ICB da Universidade Federal de Goiás, na linha de pesquisa em Conservação e Manejo da Fauna.

Andressa Carneiro do Nascimento, Instituto Federal Goiano (IFGoiano), Urutaí, Goiás, Brasil, andressa-nha@hotmail.com

Mestre em Conservação de Recursos Naturais do Cerrado pelo Instituto Federal Goiano - campus Urutaí. Membro do Laboratório de Biogeografia da Conservação e Macroecologia (COBIMA Lab). Possui experiência na construção de Modelos Preditivos Teóricos de distribuição de espécies. Interesse em Macroecologia e Ecologia Teórica, com ênfase em Apiologia, Biogeografia, Espécies Exóticas Invasoras, Conservação de Espécies Nativas e Ameaçadas de Extinção.

Marisa de Oliveira Novaes, Universidade Federal de Goiás (UFG), Instituto de Ciências Biológicas, Goiânia, Goiás, Brasil, marisa.oliveira@discente.ufg.br

Graduação em Ciências Biológicas pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2016). É mestre em Biodiversidade Animal pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com pesquisa sobre a viabilidade populacional de tamanduá-bandeira e lobo-guará (2020). Atualmente é doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Animal da UFG, onde trabalha com a conservação e ecologia de paisagem para o tamanduá-bandeira no bioma Cerrado.

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Publicado

12-01-2023

Como Citar

RASEC-SILVA, A.; CARNEIRO DO NASCIMENTO, A.; OLIVEIRA NOVAES, M. de. Investimentos financeiros na ciência brasileira causam impactos na pesquisa de campo com anuros. Revista de Biologia Neotropical / Journal of Neotropical Biology, Goiânia, v. 19, n. esp, p. 127–138, 2023. DOI: 10.5216/rbn.v19iesp.74020. Disponível em: https://revistas.ufg.br/RBN/article/view/74020. Acesso em: 2 mar. 2024.