O gênero Casearia Jacq. no Brasil

Autores

  • Ronaldo Marquete IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  • Vidal F. Mansano

DOI:

https://doi.org/10.5216/rbn.v13i1.26435

Palavras-chave:

Casearia, distribuição geográfica, morfologia, taxonomia, Salicaceae

Resumo

Apresentamos o estudo taxonômico de Casearia Jacq. (Salicaceae) no Brasil. Foram reconhecidas 48 espécies do gênero, sendo três novas para ciência (Casearia espiritosantensis R. Marquete & Mansano, Casearia souzae R. Marquete & Mansano e Casearia murceana R. Marquete & Mansano) e uma espécie foi revalidada (C. cotticensis Uittien). Apresentamos a chave para identificação dos táxons, descrições das espécies, ilustrações, distribuição geográfica e observações sobre aspectos ecológicos. Foi feita a lectotipificação dos seguintes nomes C. spinosa Willd. var. tafallana Eichler (C. aculeata), C. incana Bertero ex Spreng. (C. arborea), C. maculata Pilg. (C. fasciculata), Antigona serrata Vell. (C. lasiophylla), C. tarapotina Pilg. (C. mariquitensis), C. selloana, e C. lindeniana Urb. (C. sylvestris), C. celastroides Klotsch (C. zizyphoides); designou-se neótipo para Samyda affinis Spreng. (C. aculeata) e epítipo para Casearia luetzelburgii Sleumer. Foram encontradas como endêmicas do Brasil, 21 espécies, sendo que C. atharinensis, até o momento, do estado de Santa Catarina e C. espiritosantensis e Casearia souzae são do estado do Espírito Santo e Rio de Janeiro. A análise do estado de conservação das espécies, de acordo com os critérios e categorias propostas pela IUCN, apontou cinco espécies como criticamente em perigo (CR), sete em perigo (EM), e quatro vulneráveis (VU).

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Biografia do Autor

Ronaldo Marquete, IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

IBGE - DGC/CREN

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Publicado

10-12-2016

Como Citar

MARQUETE, R.; MANSANO, V. F. O gênero Casearia Jacq. no Brasil. Revista de Biologia Neotropical / Journal of Neotropical Biology, Goiânia, v. 13, n. 1, p. 69–249, 2016. DOI: 10.5216/rbn.v13i1.26435. Disponível em: https://revistas.ufg.br/RBN/article/view/26435. Acesso em: 1 mar. 2024.

Edição

Seção

Artigos