Regeneração natural e relações ecológicas com o estrato arbóreo em um fragmento urbano de floresta atlântica

Autores

  • Breno Moreira Programa de Pós-graduação em Ecologia Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Sabrina Nascimento Fonseca Graduação em Ciências Biológicas Universidade Federal de Juiz de Fora
  • Fabrício Alvim Carvalho Departamento de Botânica Universidade Federal de Juiz de Fora

DOI:

https://doi.org/10.5216/rbn.v1i1.25454

Palavras-chave:

Diversidade, espécies exóticas, fitossociologia, floresta urbana, regeneração

Resumo

O objetivo deste estudo foi avaliar a estrutura, a diversidade e as relações florísticas entre os estratos arbóreo e regenerante de um fragmento de floresta estacional semidecidual no Campus da Universidade Federal de Juiz de Fora (mata do ICB), MG. Trata-se de um pequeno fragmento florestal (ca. 1,5 ha) oriundo de regeneração natural após abandono de pastagem bovina há 40 anos atrás. Ao todo, foram amostrados 920 indivíduos no estrato arbóreo (1.533 ind.ha-1, 48 espécies), e 487 indivíduos no estrato regenerante (12.986 ind.ha-1, 45 espécies). Das espécies mais importantes, destaque para as exóticas Pinus elliottii no estrato arbóreo (VI = 15,9%) e Syzygium jambos no estrato regenerante (VI = 22,05%). Os índices de diversidade de Shannon (H’) foram baixos e estatisticamente diferentes (teste t de H’) entre os estratos (H’ = 2,84 nats.ind-1 no estrato arbóreo e H’ = 2,65 nats.ind-1 no regenerante). A DCA mostrou uma grande dissimilaridade florística entre as parcelas dos estratos arbóreo e regenerante, indicando uma substituição de espécies em longo prazo. Entretanto, a baixa diversidade, mesmo após 40 anos de sucessão, revela que a comunidade apresenta uma dinâmica sucessional com dificuldades de incorporar espécies localmente raras e avançar para estágios mais maduros.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Fabrício Alvim Carvalho, Departamento de Botânica Universidade Federal de Juiz de Fora

Professor Adjunto

Departamento de Botânica

Universidade Federal de Juiz de Fora

Referências

APG. 2009. An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. Botanical Journal of the Linnean Society of London, London.161:105-121.

Carvalho, F. A. 2005. Syzygium jambos (L.) Alston – uma invasora na Mata Atlântica? In Simpósio Brasileiro de espécies exóticas e invasoras: 2005; Brasília. Brasília: Ministério do Meio Ambiente.

CESAMA – Companhia de Saneamento Básico De Juiz De Fora. 2010. Dados climáticos de Juiz de Fora, MG. Disponível em: . Acesso em: 10 novembro 2012.

Chazdon, R. L. 2008. Chance and determinism in tropical forest sucession. p. 384-408. In: Carson, W. P., Schnitzer, S. A. (Ed.). Tropical forest community ecology. Chichester: Blackwell Publishing Ltd.

Denslow, J. S. & S. L. DeWalt. 2008. Exotic plant invasions in tropical forests: patterns and hypotheses. p. 409-426. In: Carson, W. P., Schnitzer, S. A. (Ed.). Tropical forest community ecology. Chichester: Blackwell Publishing Ltd.

Durigan, G. 2004. Regeneração da mata ciliar sob plantio de Pinus elliottii var. elliottii em diferentes densidades. P.363-376. In: Vilas Bôas, O. Durigan, G. (Org.). Pesquisas em conservação e recuperação ambiental no oeste paulista: resultados da cooperação Brasil/Japão. São Paulo: Páginas & Letras.

Felfili, J. M., F. A. Carvalho, & R. F. Haidar. 2005. Manual para o monitoramento de parcelas permanentes nos biomas Cerrado e Pantanal. Brasília: Universidade de Brasília, Departamento de Engenharia Florestal, 56 p.

Felfili, J. M., F. A. Carvalho, A. M. Libano, F. Venturoli, B. A. S. Pereira & E. L. M. Machado. 2011. Análise multivariada: princípios e métodos em estudos de vegetação. 1:122-165. In: Jeanine Maria Felfili, Pedro Vasconcellos Eisenlohr, Maria Margarida da Rocha Fiuza de Melo, Leonaldo Alves de Andrade, João Augusto Alves Meira Neto. (Org.). Fitossociologia no Brasil: Métodos e estudos de casos. Viçosa. Editora UFV.

Fonseca, C. R. & F. A. Carvalho. 2012. Aspectos florísticos e fitossociológicos da comunidade arbórea de um fragmento urbano de Floresta Atlântica (Juiz de Fora, MG). Bioscience Journal. 28: 820-832.

Fonseca, S. N., Ribeiro, J. H. C. & Carvalho, F. A. 2013. Estrutura e Diversidade da Regeneração Arbórea em uma Floresta Secundária Urbana (Juiz de Fora, MG, Brasil). Floresta e Ambiente. 20: 307-315.

Gonzaga, A. P. D., A. T. Oliveira-Filho, E. L. M. Machado, P. Hargreaves, & J. N. Machado. 2008. Diagnóstico florístico-estrutural do componente arbóreo da floresta da Serra de São José, Tiradentes, MG, Brasil. Acta Botanica Brasilica, Feira de Santana. 22:505-520.

Guariguata, M. R. & R. Ostertag. 2001. Neotropical secondary forest succession: changes in structural and functional characteristics. Forest Ecology and Management, 148: 185-206.

Hammer, Ø., D. A. T. Harper, P. D. Ryan. 2001. PAST: Paleontological Statistical software package for education and data analysis. Palaentologia Electronica. 4: 9 p.

IBGE. 2012. Manual técnico da vegetação brasileira. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Rio de Janeiro, 271 pp.

Kent, M. & P. Coker. 1992. Vegetation description and analysis. New York: John Wiley & Sons, 365 pp.

Köppen, W. 1948. Das geographische System der Klimate – handbuch der klimatologie. Vol. 1. Part C. Berlim: Gebr. Bornträger Verlag, 388 pp.

Magurran, A. E. 2004. Measuring biological diversity. Oxford: Blackwell Science, 215 pp.

Melo, A. C. G. & G. Durigan. 2006. Fixação de carbono em reflorestamentos de matas ciliares no Vale do Paranapanema, SP, Brasil. Scientia Forestalis, Piracicaba. n.71, 149-154.

Menon, T. A. & F. A. Carvalho. 2012. Estrutura populacional de Pinus elliottii em áreas de regeneração florestal em Juiz de Fora, MG. Pesquisa Florestal Brasileira (Online). 32: 367-372.

Moreira, B. & F. A. Carvalho. 2013. A comunidade arbórea de um fragmento urbano de Floresta Atlântica após 40 anos de sucessão secundária (Juiz de Fora, Minas Gerais). Biotemas. n.26, 59-70.

Norden, N., R. L. Chazdon, A. Chao, Y. H. Jiang & B. V. Alvarado. 2009. Resilience of tropical rain forests: tree community reassembly in secondary forests. Ecology Letters. 12: 385-394.

Rocha, G. C., M. O. Latuf & L. F. Z. Carmo. 2003. Mapeamento de riscos ambientais à escorregamentos na área urbana de Juiz de Fora, MG. Geografia, Londrina. 12: 509-516.

Silva Júnior, W. M., S. V. Martins, A. F. Silva & P. Marco Júnior. 2004. Regeneração natural de espécies arbustivo-arbóreas em dois trechos de uma Floresta Estacional Semidecidual, Viçosa, MG. Scientia Forestalis; 66: 169-179.

Silveira, E. R. & G. Durigan. 2004. Recuperação de matas ciliares: estrutura da floresta e regeneração natural aos dez anos em diferentes modelos de plantio na Fazenda Canaçu, Tarumã, SP. p. 325-347. In: Vilas Bôas, O.; Durigan, G. (Org.). Pesquisas em conservação e recuperação ambiental no oeste paulista: resultados da cooperação Brasil/ Japão. São Paulo: Páginas & Letras.

Simberlof, D., M. A. Nuñez, N. J. Ledgard, A. Pauchard, D. M. Richardson, M. Sarasola, B. W. Van Wilgen, S. M. Zalba, R. D. Zenni, R. Bustamante, E. Peña & S. R. Ziller. 2010. Spread and impact of introduced conifers in South America: lessons from other southern hemisphere regions. Austral Ecology, Adelaide.35: 489-504.

Downloads

Publicado

07-11-2013

Como Citar

MOREIRA, B.; FONSECA, S. N.; CARVALHO, F. A. Regeneração natural e relações ecológicas com o estrato arbóreo em um fragmento urbano de floresta atlântica. Revista de Biologia Neotropical / Journal of Neotropical Biology, Goiânia, v. 10, n. 1, p. 21–27, 2013. DOI: 10.5216/rbn.v1i1.25454. Disponível em: https://revistas.ufg.br/RBN/article/view/25454. Acesso em: 19 maio. 2024.

Edição

Seção

Artigos