MEIO AMBIENTE COMO UM DIREITO HUMANO: OS LIMITES DA EFICÁCIA DA OPINIÃO CONSULTIVA 23/17 DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS

THE ENVIRONMENT AS A HUMAN RIGHT: THE LIMITS OF THE EFFECTIVENESS OF ADVISORY OPINION 23/17 OF THE INTER-AMERICAN COURT OF HUMAN RIGHTS

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.5216/rfd.v50i1.84380

Palabras clave:

meio ambiente, direitos humanos, Corte Interamericana de Direitos Humanos, Opinião Consultiva 23/2017, Proibição do retrocesso ambiental

Resumen

O presente artigo analisa a relevância e os limites da Opinião Consultiva 23/2017 (OC 23/17), instrumento interpretativo da função consultiva da Corte Interamericana de Direitos Humanos, no reconhecimento do meio ambiente saudável como direito humano autônomo no Sistema Interamericano de Direitos Humanos. A pesquisa constata que a degradação ambiental, expressa em mudanças climáticas, perda de biodiversidade e poluição atmosférica, impacta diretamente direitos humanos fundamentais, evidenciando a necessidade de fortalecimento de instrumentos jurídicos internacionais que articulem proteção ambiental e dignidade humana. A OC 23/17 representa um marco jurídico ao afirmar que o direito ao meio ambiente sadio é autônomo e gera obrigações negativas e positivas aos Estados, reforçando a correlação entre sustentabilidade, direitos humanos e justiça intergeracional. Contudo, sua eficácia enfrenta entraves: o caráter não vinculante da função consultiva; a dependência do voluntarismo estatal; a predominância de soft law ambiental; dificuldades de internalização em políticas públicas nacionais; conflitos entre proteção ambiental, soberania e interesses econômicos; e aplicação incipiente da jurisdição extraterritorial para danos transfronteiriços. A pesquisa utiliza abordagem qualitativa exploratória, valendo-se de revisão bibliográfica e documental. Conclui-se que, embora a OC 23/17 seja um avanço normativo relevante, sua plena eficácia depende da disposição política dos Estados, da superação de resistências econômicas e da consolidação jurisprudencial, exigindo esforços complementares normativos, institucionais e políticos.

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Biografía del autor/a

Cláudio José Moreira Teles, Universidade Tiradentes (UNIT/SE), Aracaju, Sergipe, Brasil, claudio.teles@mpal.mp.br

Doutorando e Mestre em Direitos Humanos pela Universidade Tiradentes - UNIT/SE. Bacharel em Direito pela Sociedade Caruaruense de Ensino Superior - Faculdade de Direito de Caruaru. Possui Especialização em Direito Penal pela Universidade Tiradentes. Atualmente é Promotor de Justiça em Alagoas. Tem experiência na área de Direito, com ênfase em Direito Ambiental e Direito Penal.

Dimas Pereira Duarte Júnior, Universidade Tiradentes (UNIT/SE), Aracaju, Sergipe, Brasil, dimas.duartejr@gmail.com

Pós-doutor em Direito pela Université de Limoges/França. Doutor em Ciências Sociais: Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP (2008). Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de Goiás (2001). Professor e Pesquisador do Programa de Pós-graduação em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes - UNIT/SE

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Publicado

2026-03-31

Cómo citar

MOREIRA TELES, Cláudio José; PEREIRA DUARTE JÚNIOR, Dimas. MEIO AMBIENTE COMO UM DIREITO HUMANO: OS LIMITES DA EFICÁCIA DA OPINIÃO CONSULTIVA 23/17 DA CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS: THE ENVIRONMENT AS A HUMAN RIGHT: THE LIMITS OF THE EFFECTIVENESS OF ADVISORY OPINION 23/17 OF THE INTER-AMERICAN COURT OF HUMAN RIGHTS. Revista Facultad de Derecho UFG, Goiânia, v. 50, n. 1, 2026. DOI: 10.5216/rfd.v50i1.84380. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revfd/article/view/84380. Acesso em: 1 abr. 2026.