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v. 2 , setembro de 2021 - Dossiê  Museus e coleções arqueológicas: perspectivas antropológicas 

Organização: Cristiana Barreto, Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém, Brasil, , Camila Azevedo de Moraes Wichers, Universidade Federal de Goiás-UFG, Goiânia, Brasil

        Este dossiê visa contribuir para o debate acerca do papel social dos museus e instituições de guarda de acervos arqueológicos a partir de uma perspectiva antropológica. Nos últimos anos, museus antropológicos vêm buscando mudanças nas práticas museais mais afinadas com agendas decoloniais, voltadas para as comunidades relacionadas a seus acervos, em especial, mas não somente, os povos indígenas, ressignificando coleções e possibilitando narrativas multivocais, para além do discurso científico/acadêmico. Os museus de arqueologia, assim como a prática arqueológica em amplo senso, apesar de lidarem com patrimônios de alta relevância para essas agendas - muitas vezes testemunhos de histórias de longa duração que importam para o presente e futuro de diferentes coletivos e lugares - enfrentam desafios particulares para caminhar nesta direção. São desafios que se devem tanto às práticas da pesquisa e colecionamento arqueológico, como a concepções institucionais sobre o que deve ser um museu de arqueologia, uma coleção ou até mesmo uma pesquisa arqueológica. Desafios também surgem no âmbito do colecionamento e da ressignificação destes acervos por pessoas, coletivos e comunidades, evidenciando experiências plenas de potencialidade, mas que demandam mudanças no campo jurídico e institucional.

v. 2 , dezembro de 2021 - Dossiê  Gentes ameríndias e suas políticas 

Organização: André Drago, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil, Gabriela Freire, Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade Federal do Paraná, Paraná, Brasil

Contumaz e conspícua em sua resistência ao político, há cerca de uma década a antropologia das Terras Baixas sul-americanas, à força de uma reapreciação mais liberal da então recém-reeditada obra de Pierre Clastres, parecia finalmente ceder: em 2009, o SESC Pinheiros, em São Paulo, acolhia um colóquio dedicado ao autor e ao objeto, o qual, em 2012, a Revista de Antropologia da USP reverberaria e desdobraria em um dossiê, “Pensar com Clastres”; neste meio-tempo, e nos anos imediatamente subsequentes, avolumaram-se publicações de especialistas como Renato Sztutman e Beatriz Perrone-Moisés. O mote da retomada, muito bem enunciado por Sztutman em seu O Profeta e o Principal, era, resumidamente, o seguinte: atualizando o intempestivo nas “inquietações clastreanas”, tratava-se de repensar o político (chefia, hierarquias e ranqueamentos ou assimetrias de prestígio, faccionalismo) a partir do que se produzira a respeito dos regimes ontológicos ameríndios desde o advento do Americanismo Tropical, mas, sobretudo, no início deste século, sob a rubrica do “perspectivismo”. Tal produção, pondo em xeque a oposição natureza e cultura, sugeria, conforme Sztutman, que a noção de política dificilmente poderia ser dissociada da noção de natureza e, nesse sentido, que qualquer “política dos homens”, brancos ou não, deveria ser compreendida numa cosmopolítica integrada por agentes não humanos. Passados alguns poucos anos, embora o movimento assim encetado quede-se, em ampla medida, por perfazer, sentimos que o ânimo de outrora ameaça arrefecer; visando conservá-lo, a Revista Hawò da Universidade Federal de Goiás convida antropólogos, arqueólogos e historiadores estudiosos do político nas Terras Baixas e Altas da América do Sul a submeter a este dossiê artigos resultantes de pesquisas que persistam no ainda atualíssimo curso traçado para a referida retomada. Na falta, ou melhor, na recusa de uma definição substantiva do político, serão muito bem-vindas quaisquer contribuições que, debruçando-se sobre processos de objetivação de sujeitos ameríndios – a um só tempo, fragmentação e constituição, concentração e dispersão, continuidade e descontinuidade –, proponham-se, nos termos de Eduardo Viveiros de Castro, à “equivocação controlada” do conceito ou noção. Interessam, óbvio, e isto apenas à guisa de exemplos, chefes, xamãs e outras formas de liderança ou prestígio, seus nomes belos ou feios, grandes ou pequenos, suas falas, cantos e performances cerimoniais, as redes de troca e parentesco das quais participam, as particularidades da composição dessas pessoas e os afetos veiculados em e através de seus corpos, bem como os vínculos com outras gentes (inimigos e estrangeiros, mortos, animais, “espíritos”, os brancos etc.) implicados em tais agências e agenciamentos, além, claro, de modalidades de hierárquicas ou assimétricas – em uma palavra, se vaga, políticas – de relação entre grupamentos (metades, clãs, linhagens, aldeias, grupos locais, sibs, fratrias etc.) e povos.

Prazo para envio dos artigos: até 30 de junho de 2021.

v. 3, julho de 2022 - Dossiê “Ritxoko é ouro!” 

Organização: Andréa Dias Vial, , Manuelina Maria Duarte Cândido, Universidade Federal de Goiás, Universidade de Liège, Nei Clara de Lima, Universidade Federal de Goiás, Brasil

Neste número a Revista Hawò pretende publicar os resultados alcançados até agora pelo Projeto Presença Karajá: cultura material, tramas e trânsitos coloniais, fazendo uma espécie de balanço dos quatros anos de sua primeira etapa. No intervalo desse tempo, o projeto mapeou as coleções de ritxoko, conhecidas como ‘bonecas Karajá’, em setenta e sete museus brasileiros e estrangeiros, ao mesmo tempo em que buscou reconstituir a trajetória de formação dessas coleções, as redes de relações constituídas entre pesquisadores, instituições e os grupos indígenas Karajá, seus produtores, além de realizar estudos deste artefato – originalmente um brinquedo de crianças –, tendo o foco nos adornos corporais e indumentárias usados para ‘vestir’ essas bonecas. Por se tratar de um projeto interdisciplinar que engloba os campos da Antropologia, Museologia, Arqueologia, dentre outros, temos interesse em receber artigos e resultados de pesquisas, realizadas em diferentes partes do mundo, em que as interfaces desses campos sejam colocadas em discussão. Serão especialmente bem-vindos os trabalhos que, na perspectiva acima apontada, estejam comprometidos com as culturas indígenas e a compreensão de sua inserção na contemporaneidade, especialmente nos circuitos museológicos e patrimoniais.

Com esta publicação, pretendemos fomentar e ampliar o debate sobre as formas e os impactos que o retorno ou o compartilhamento de acervos etnográficos com os povos indígenas trazem para os diferentes atores envolvidos nos processos de seleção, aquisição, documentação, conservação e extroversão das coleções salvaguardadas em museus. O título “Ritxoko é ouro!” retoma uma frase de Mahuederu, ceramista-mestra, mobilizando, em sua fala, os valores simbólicos e econômicos ligados à sua produção. Para este dossiê nos interessamos também por reflexões em torno destas questões, que envolvem outras circulações das ritxoko, não somente ligadas às instituições de preservação, mas também ao comércio e ao turismo. Por último, mas não menos importante, pretendemos, nas confluências dessas pesquisas, contribuir para a reflexão do potencial pedagógico que os estudos dessas coleções trazem para o campo da educação museal e para a formação de professores em todos os níveis de ensino, do básico ao superior. Quiçá professores indígenas possam apresentar seus textos!

Prazo para envio dos artigos: até 30 de janeiro de 2022.