Deus ex-machina: uma análise do fenômeno da telerreligião na mídia brasileira

Autores

  • Gilson Soares Raslan Filho UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS - Campus Divinópolis

DOI:

https://doi.org/10.5216/36979

Palavras-chave:

Mídia. Mercado religioso. Catolicismo. Neopentecostalismo. Brasil.

Resumo

Embora seja natural que o Brasil, país de colonização católica, teça sua cultura a partir dessa matriz, tal naturalização, quando nos defrontamos com a presença da religião na mídia - especialmente a Televisão, que tem especial atenção deste texto - ganha contornos que desnudam uma disputa mais profunda. Na guerra para manter sua hegemonia, a Igreja Católica, em sua diversidade, sempre esteve presente na programação da mídia eletrônica brasileira, seja com o acesso a concessões públicas, seja pela cessão de espaços pelos veículos seculares. Nos últimos anos, esse fenômeno foi recrudescido: o incremento da chamada telerreligião, controlada sobretudo por líderes neo-pentecostais, fez os líderes católicos se movimentarem em direção a uma maior presença no espectro midiático e muito especialmente do controle de canais de TV. Este artigo procura acompanhar táticas religiosas em busca de presença e controle dos meios eletrônicos de comunicação e, ao fim e ao cabo, se questiona: o que significa,para a tessitura do imaginário contemporâneo brasileiro, essa associação entre mídia e religião? 

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Biografia do Autor

Gilson Soares Raslan Filho, UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MINAS GERAIS - Campus Divinópolis

Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade de São Paulo (USP),mestre em Estudos Literários e graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Professor na Universidade do Estado de Minas Gerais (UFMG). Brasil, Divinópolis, MG.

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Publicado

2015-12-04

Como Citar

RASLAN FILHO, G. S. Deus ex-machina: uma análise do fenômeno da telerreligião na mídia brasileira. Comunicação & Informação, Goiânia, Goiás, v. 18, n. 2, p. 53–72, 2015. DOI: 10.5216/36979. Disponível em: https://revistas.ufg.br/ci/article/view/36979. Acesso em: 16 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos