Déco pela cidade

Autores

  • Genilda Alexandria
  • Wolney Unes

Resumo

As imagens que se seguem materializam um convite para percorrer um itinerário assimétrico, um percurso de espaços construídos numa narrativa visual de geometria acentuada. Por vezes se é tentado a parar defronte a fotografia e seguir percorrendo as linhas retas e curvas até que o conjunto se complete em platibandas, numa fachada, nas ferragens de uma esquadria ou numa escultura. O olhar acostumado de cada dia desvela-se e é possível que se deixe escapar um Como eu não vi isso? Surge então uma vontade de ver. Essa vontade pode ser saciada (ou estimulada) pelo arranjo singular projetado no enquadramento das imagens que se revelam nas páginas seguintes e, que por um outro instante, consumiu o fotógrafo observador. No contexto das cidades, a vontade de ver não é um fato novo, além de perpassada tanto pelo particular prazer de observar do voyeur, entrelaçado pelas ruas e imerso na paisagem, quanto pela inspiradora vontade de mostrar. A representação da cidade por pintores renascentistas trouxe a visão em perspectiva como principal orientação da experiência do mostrar, tornando o observador descorporizado, como diria Martin Jay (1988): uma forma de ver neutralizada que não nutre um comprometimento com o que se vê. O pensamento urbano, o projeto da cidade, aproxima-se desse ver totalizador, aspirando a uma organiza- ção racional que constrói o espaço. A fotografia, imbuída da tecnologia, também compartilha da aspiração de uma construção, da construção da imagem.

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Publicado

2017-08-01

Como Citar

ALEXANDRIA, G.; UNES, W. Déco pela cidade. Revista UFG, Goiânia, v. 12, n. 8, 2017. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/48304. Acesso em: 10 ago. 2022.

Edição

Seção

Ensaio Visual