A cultura simbólica espírita e o dialogismo filosófico, científico e religioso nos textos de Allan Kardec

Autores

  • Ângela Teixeira de Moraes Universidade Federal de Goiás e Pontifícia Universidade Católica de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.5216/37635

Palavras-chave:

Dialogismo. Análise de discurso. Espiritismo. Fé e razão.

Resumo

Este estudo visa entender como o discurso espírita tornou-se político e socialmente possível, especialmente no Brasil, ao estabelecer confrontos e adesões com outros saberes advindos do campo da filosofia, da ciência e do cristianismo, ganhando, assim, legitimidade. Parte-se da percepção de que o espiritismo pode ser entendido como que inserido em uma rede de forças que condicionaram o diálogo entre religião e os valores discursivos da modernidade. A abordagem teórica e os dispositivos analíticos baseiam-se em Thompson, Bakhtin e Foucault, e adotam-se como corpus os textos fundadores do espiritismo escritos por Allan Kardec.Os resultados mostram que o dialogismo espírita se constrói intertextual e discursivamente, revelando uma ressignificação das teses gregas, da ética cristã e do positivismo do século XIX. Advoga-se que há uma tentativa de associação do “conhece-te a ti mesmo” (gnôthi seautón) ao “cuidado de si” (epiméleia heautoû), baseando-se no pressuposto da “fé raciocinada” e da “ciência espírita”.

 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ângela Teixeira de Moraes, Universidade Federal de Goiás e Pontifícia Universidade Católica de Goiás

Mestre e doutora em letras e linguística pela Universidade Federal de Goiás (UFG), com ênfase em análise de discurso de filosofia da linguagem. Pesquisadora nas áreas de comunicação e religião. Professora adjunta da UFG e da PUC-GO. Brasil, Goiás, Goiânia.

Referências

ARRIBAS, C. G. Afinal, espiritismo é religião? São Paulo: Alameda Editorial, 2010.

BRAIT. B. Bakhtin e a natureza constitutivamente dialógica da linguagem. In: BRAIT. B. (Org.). Bakhtin, dialogismo e construção do sentido. Campinas: Unicamp, 1997. p. 91-101.

BAKHTIN, M. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1979.

BOURDIEU, P. O poder simbólico. Lisboa: Difel, 1989.

FOUCAULT, M. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007.

FOUCAULT, M. A hermenêutica do sujeito. São Paulo: Martins Fontes, 2006.

FOUCAULT, M. A ordem do discurso. São Paulo: Loyola, 1996.

FERNANDES, P. C. C. As origens do espiritismo no Brasil: razão, cultura e resistência no início de uma experiência (1850-1914). 2008. f. 139. Dissertação (Mestrado em Sociologia)- Instituto de Ciências Sociais, Universidade de Brasília, Brasília, 2008.

KARDEC, A. O livro dos espíritos. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

KARDEC, A. O evangelho segundo do espiritismo. Rio de Janeiro: FEB, 2013.

KARDEC, A. A Gênese. Brasília: FEB, 1996

KARDEC, A. O que é espiritismo? Rio de Janeiro: FEB, 1999.

MAINGUENEAU. D. A propósito do Ethos. In: MOTA, A. R. L; SALGADO, L. (Orgs.). Ethos discursivo. São Paulo: Contexto, p.11-29, 2008.

THOMPSON, J. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis: Vozes, 1995.

Downloads

Publicado

2015-12-04

Como Citar

DE MORAES, Ângela T. A cultura simbólica espírita e o dialogismo filosófico, científico e religioso nos textos de Allan Kardec. Comunicação & Informação, Goiânia, Goiás, v. 18, n. 2, p. 22–35, 2015. DOI: 10.5216/37635. Disponível em: https://revistas.ufg.br/ci/article/view/37635. Acesso em: 14 jul. 2024.

Edição

Seção

Artigos