Campesinato e agricultura familiar em duas imagens: o sem-terra raivoso e a família feliz

Autores

  • Patrícia da Veiga Borges Programa de Pós-Graduação em Comunicação (ECO-POS). Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Brasil, Rio de Janeiro (RJ), Rio de Janeiro.

DOI:

https://doi.org/10.5216/35015

Palavras-chave:

Agricultura Familiar, Campesinato, Emoções, Representação

Resumo

Este trabalho discute qual natureza de representação podem ter o campesinato e a agricultura familiar, considerando como foco principal de análise o uso das emoções na formulação de enunciados midiáticos. Toma como pontos de análise duas imagens: uma fotografia apresentada como capa da Revista Veja, em 1998, e um desenho de 2014, estampado no selo promocional do Ano Internacional da Agricultura Familiar (AIAF). Como parte da reflexão teórica, faz uma associação entre os termos “campesinato” e “agricultura familiar” e discute a relação entre comunicação, emoções e poder. À guisa de conclusão, defende que os retratos do campo poderiam tornar explícitas as contradições da questão agrária brasileira.

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Biografia do Autor

Patrícia da Veiga Borges, Programa de Pós-Graduação em Comunicação (ECO-POS). Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Brasil, Rio de Janeiro (RJ), Rio de Janeiro.

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO-POS/UFRJ), mestra em Comunicação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), vinculada à linha de pesquisa Mídia e Mediações Socioculturais e integrante do Laboratório de Estudos em Comunicação Comunitária (LECC/UFRJ).

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Publicado

2015-06-15

Como Citar

BORGES, P. da V. Campesinato e agricultura familiar em duas imagens: o sem-terra raivoso e a família feliz. Comunicação & Informação, Goiânia, Goiás, v. 18, n. 1, p. 157–173, 2015. DOI: 10.5216/35015. Disponível em: https://revistas.ufg.br/ci/article/view/35015. Acesso em: 26 maio. 2022.

Edição

Seção

Caderno Casadinho Procad UFG - UFRJ