Entre malandragens e cortiços
alegorias do Brasil na historiografia literária de Antonio Candido (1970-1973)
DOI:
https://doi.org/10.5216/rth.v28i1.81973Palavras-chave:
Alegorias, Colonialismo, Historicidade, HistoriografiaResumo
No início da década de 1970, Antonio Candido debruçou-se com mais afinco sobre algumas obras literárias produzidas no Brasil no século XIX, com destaque para O Cortiço (1890), de Aluísio de Azevedo, e Memórias de um sargento de milícias (1853), de Manuel Antonio de Almeida. Mais do que buscar uma caracterização propriamente literária dos romances, o crítico produziu, a partir das narrativas elaboradas nos enredos, dois ensaios de interpretação da realidade brasileira: “Dialética da Malandragem” (1970) e “De Cortiço a Cortiço” (1973). No momento em que o Brasil se encontrava imerso na experiência da ditadura civil-militar, esses textos representam o esforço de Candido em investigar as raízes de nosso “atraso” decorrentes dos efeitos deletérios do colonialismo na formação da América Latina. Nossa hipótese é que, a partir das referidas obras de ficção do século XIX, o crítico elaborou uma leitura da historicidade brasileira a partir das alegorias da malandragem e do cortiço como marcas de nossa diferença periférica, calcada, sobretudo, no caráter conflitivo e errante de nossa sociedade.
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