SER E NÃO SER NA FRONTEIRA

Autores

  • Xoán Carlos Lagares

Resumo

Acontece com as línguas como com muitas outras entidades que costumamos nomear e às quais fazemos constante referência, isto é, que não temos delas uma única definição possível, que delas falamos no nosso cotidiano sem nos preocuparmos de ter em mente uma caracterização precisa, totalmente unívoca. Marcos Bagno (no prelo), no texto de uma conferência que será publicado proximamente num livro coletivo, compara essa situação com a que expõe Santo Agostinho ao se perguntar o que seria o tempo: “se ninguém me pergunta, sei; se me pedem que explique, não sei”. As definições de língua com que contamos são variadas porque dependem, como afirmava o Saussure do Curso de Linguística Geral, do ponto de vista adotado. Se a linguística, segundo o autor genebrino, é uma ciência que cria seu próprio objeto (SAUSSURE, 1972), diferentemente de outras disciplinas científicas, que lidam com matéria mais ou menos tangível e pré-existente (as pedras da geologia, os planetas da astronomia, os micróbios da biologia...), não é estranho que, dependendo do viés teórico disciplinar, o objeto também apareça aos nossos olhos nas mais diversas formas: como dado biológico de uma rede neuronal, como aparelho sociocognitivo, como dispositivo semiótico, como sistema estruturante da sociedade e da história, como construção simbólica, como instrumento de comunicação, como instituição política...

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Publicado

2017-08-01

Como Citar

LAGARES, X. C. SER E NÃO SER NA FRONTEIRA. Revista UFG, Goiânia, v. 13, n. 10, 2017. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/48365. Acesso em: 2 jul. 2022.

Edição

Seção

Artigos