Leitura: experiência singular

Autores

  • Maria de Fátima Cruvinel

Resumo

Não é raro encontrarmos textos sobre a leitura que se reportam aos sentidos do verbo ler. Do latim legere, ler pode significar colher, percorrer, roubar, verbos que apontam a atuação diligente do leitor no ato da leitura. À primeira vista, no entanto, seu papel pode parecer secundário na trama da construção dos sentidos, mas não o é. De fato, as palavras, antes que sejam lidas, já estão traçadas no papel; contudo, elas só se despegam de sua materialidade e passam a fazer sentido mediante o movimento do leitor, quando este põe em operação a engrenagem do texto. Ainda que seja fruto da criação de um autor, o escrito não tem existência efetiva até que nossos olhos, sonolentos ou despertos, percorram os traços negros e acordem as palavras com as quais se compõem os sentidos do texto. Daí a bela definição de Michel de Certeau (2000) sobre os leitores: são viajantes, circulando em terras alheias, caçando por sua própria conta em campos que não semearam, arrebatando os bens do Egito para com eles se regalar; como Robinson Crusoé, o leitor tem, diante de um livro, uma ilha a descobrir.

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Publicado

2017-07-31

Como Citar

CRUVINEL, M. de F. Leitura: experiência singular. Revista UFG, Goiânia, v. 10, n. 5, 2017. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/48219. Acesso em: 17 ago. 2022.

Edição

Seção

Artigos