SOBRE A ESSÊNCIA E A FORMA DO ENSAIO: UMA CARTA A LEO POPPER

Autores

  • Georg Lukács
  • Mario Luiz Frungillo

Resumo

Meu amigo, Tenho diante de mim os ensaios destinados a este livro, e me pergunto: devem-se publicar trabalhos desta ordem, pode surgir deles uma nova unidade, um livro? Pois o que importa para nós agora não é o que estes ensaios possam oferecer como estudos “históricoliterários”, mas tão-somente se há algo neles que possa conferir-lhes uma forma nova, peculiar, e se esse princípio é o mesmo em todos eles. O que vem a ser essa unidade, se é que ela existe? Eu não procuro de maneira nenhuma formulá-la, pois não é de mim nem de meu livro que se trata aqui; é uma questão mais importante e mais geral que temos diante de nós: a questão da possibilidade de uma tal unidade. Em que medida os escritos verdadeiramente grandes que pertencem a essa categoria têm uma forma, e em que medida essa sua forma é autônoma; em que medida o modo de ver e sua configuração subtraem a obra do campo das ciências e a colocam ao lado da arte sem, contudo, apagar as fronteiras entre ambas; conferem-lhe a força necessária para uma reordenação conceitual da vida e, no entanto, a mantêm distante da perfeição gélida e definitiva da filosofia. Esta é, porém, a única apologia profunda possível de tais escritos e simultaneamente também sua crítica mais profunda; pois é com a medida que aqui se estabelece que eles serão medidos pela primeira vez, e a determinação deste objetivo mostrará pela primeira vez o quanto eles ficaram distante dele.

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Publicado

2017-07-31

Como Citar

LUKÁCS, G.; FRUNGILLO, M. L. SOBRE A ESSÊNCIA E A FORMA DO ENSAIO: UMA CARTA A LEO POPPER. Revista UFG, Goiânia, v. 9, n. 4, 2017. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revistaufg/article/view/48186. Acesso em: 3 jul. 2022.

Edição

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