Dossiê Temático - Corposvidas que lutam... Corposvidas que (re)existem... Corposvidas que escrevem e se inscrevem: Disputas de narrativas sobre culturas e identidades marginalizadas no Norte e Nordeste do Brasil

30-03-2026

Estão abertas as submissões para o Dossiê "Corposvidas que lutam, Corposvidas que (re)existem, Corposvidas que escrevem e se inscrevem: Disputas de narrativas sobre culturas e identidades marginalizadas no Norte e Nordeste do Brasil".

O dossiê é organizado por: Nilcelio Sacramento de Sousa (UFT), Rafael Marques Gonçalves (UFAC) e Deysiene Cruz Silva (UNEB).

Submissões de artigos de 30 de março à 20 de agosto de 2026. Todos os artigos devem aderir às normas de submissão da Revista UFG, disponíveis na aba "Submissões". 

Confira a apresentação da proposta abaixo.

 

Apresentação

Este dossiê tem o objetivo de reunir estudos realizados por pesquisadores/as da educação e áreas afins que articulam as questões de culturas, identidades, gêneros, raça e sexualidades a partir de uma perspectiva de cartografia social e cultural, com foco nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Inspirados/as na compreensão de que raça, sexualidades e gêneros são processos de construção social, buscamos explorar como as narrativas que envolvem esses marcadores sociais se configuram como campos de disputa, atravessados por interesses políticos, culturais e identitários que moldam as subjetividades e socialidades de grupos histórica e socialmente marginalizados e subalternizados.

Como afirma Suely Messeder (2020), a luta antirracista, antissexista..., são lutas por um processo de descolonização do olhar, das palavras e das práticas, ressaltando a centralidade da disputa de narrativas no combate às representações estereotipadas e à construção de modos de resistência que visam reconfigurar os territórios simbólicas e culturais das populações racializadas. Nesse sentido, reconhecemos que as narrativas de culturas, raça, gêneros e sexualidades são territórios de resistência e de reivindicação de reconhecimento, essenciais para descolonizar as representações hegemônicas e abrir espaço para as vozes que tradicionalmente foram silenciadas.

A proposta é compreender essas disputas de narrativa como estratégias de resistência, afirmação e reconfiguração identitária, que desafiam as hegemonias culturais e políticas. A cartografia social, enquanto método de mapeamento de territórios simbólicos, permite traçar as áreas de conflito, resistência e afirmação de grupos diversos, tais como comunidades tradicionais, indígenas, quilombolas, ciganas, de terreiro, LGBTTIA+ e demais sujeitos/as sociais que se articulam na luta por reconhecimento e autonomia em suas regiões de origem.

Este dossiê visa explorar as várias formas de narrativa produzidas por esses grupos, identificando os sentidos atribuídos às categorias de culturas, identidades, raça, gêneros e sexualidades, e como esses sentidos são utilizados para criar espaços de resistência frente às tentações hegemônicas, às representações estereotipadas e às experiências de racialização, sexualização e genderificação. Além disso, buscamos refletir sobre os efeitos dessas disputas na constituição das subjetividades, memórias, culturas e politizações de cada grupo e comunidade.

Serão bem-vindos trabalhos que abordem recortes específicos, como as experiências de mulheres e homens negros, indígenas, ciganos, povos de terreiro, membros da comunidade LGBTTIA+, jovens, idosos/as, pessoas com deficiência, moradores/as de periferia ou de favelas, reconhecendo a complexidade das múltiplas racializações, genderificações e suas interseccionalidades. É fundamental destacar como essas narrativas dialogam, conflitam ou se complementam com as demais, possibilitando uma compreensão mais aprofundada das estratégias de resistência e dos processos de construção identitária nesses contextos regionais.

Assim, ao promover uma cartografia de narrativas, o dossiê busca contribuir para uma reflexão mais ampla sobre as formas de disputa do significado dessas categorias, evidenciando a diversidade de experiências e de lutas sociais que têm marcado a dinâmica sociocultural das regiões Norte e Nordeste do Brasil, como modo de pensarfazer Ciências no Brasil, mas principalmente como uma (re)afirmação de “aqui se faz ciência” (Santos, Pereira, 2023).

Dessa forma, esperamos fortalecer e divulgar o diálogo entre diferentes saberes, emancipar visões hegemônicas e ampliar o reconhecimento de socialidades contra-hegemônicas, contribuindo para uma compreensão mais pluralista, anticolonial e engajada na transformação social.

Por fim, esperamos que as reflexões contidas nos artigos que serão publicados sirvam de inspiração para outras-novas práticas de pensarfazer educação, capazes de contribuir para a realização simultânea da igualdade e da diferença como marcadores da dignidade humana.

 

REFERÊNCIAS

MESSEDER, Suely Aldir. A pesquisadora encarnada: uma trajetória decolonial na construção do saber científico blasfêmico. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de. Pensamento feminista hoje: perspectivas decoloniais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2020, p. 152-171

SANTOS, Antônio Bispo dos; PEREIRA, Santídio. A terra dá, a terra quer. São Paulo: Ubu; Piseagrama, 2023.