ARQUITETURAS DA EXCLUSÃO: AUTOPOIESE E POLICONTEXTURALIDADE NO HOSPITAL/COLÔNIA SANTA TERESA
ARCHITECTURES OF EXCLUSION: AUTOPOIESIS AND POLYCONTEXTURALITY AT THE SANTA TERESA HOSPITAL/COLONY
DOI:
https://doi.org/10.5216/rfd.v49i3.84236Resumen
Resumo: O presente artigo propõe-se a examinar as instituições totais sob a ótica de sua projeção policontextural, buscando evidenciar a racionalidade subjacente à eficácia de seus dispositivos de contenção e disciplinamento, os quais operam, de modo imperceptível, na amputação progressiva dos instrumentos psíquicos e simbólicos de seus sujeitos. Nesse horizonte, toma-se como objeto paradigmático de análise o Hospital Colônia Santa Teresa (São José, Santa Catarina, Brasil), concebido como uma instituição de segunda ordem, destinada originariamente ao confinamento de leprosos, onde os internos – simultaneamente pacientes e prisioneiros – foram subtraídos da esfera pública e submetidos a um regime de clausura que, ao mesmo tempo em que invisibilizava suas existências, produzia uma normatividade própria e autorreferente. A investigação adota o método sistêmico-autopoiético delineado por Niklas Luhmann, na medida em que este permite apreender os fenômenos sociais a partir de uma multiplicidade de contextos comunicativos, revelando a complexa tessitura policontextural que sustenta a operação das instituições totais e, sobretudo, restituindo a palavra àqueles que foram estruturalmente excluídos do discurso social – os internos de Santa Teresa, silenciados entre a doença e a punição.
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