Metamorfoses da planta primordial
Paradigmas para uma modalidade alternativa de ciência (1790-1832)
DOI:
https://doi.org/10.5216/rth.v28i1.82729Palavras-chave:
Ciência romântica, Filosofia romântica da natureza, metamorfose, planta primordial, novas ontologiasResumo
O propósito geral responsável por orientar cada etapa entre as quais se reparte o presente artigo consiste em indagar acerca do potencial epistemológico guardado pelas mais diversas modalidades de produção do saber derivadas do campo das ciências românticas, conferindo particular destaque às filosofias românticas da natureza. De modo a tornar factível o referido propósito, será colocada sob exame uma potente amostra de teorização enraizada no fértil terreno da Naturphilosophie alemã: qual seja, as reflexões desenvolvidas por Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) em torno do campo denominado pelo autor de Morfologia. Partindo da noção de “metamorfose”, recurso analítico mobilizado por Goethe, procurarei demonstrar, de um lado, a receptividade da ciência romântica ao borramento das rígidas fronteiras erigidas entre os termos orgânico e inorgânico, e, de outro, a pouca afeição de expoentes dessa modalidade outra de ciência pelo dualismo também estabelecido pelas ciências moderno-ocidentais entre o par sujeito e objeto. Por fim, serão bosquejadas algumas possibilidades de aproximação entre a ciência romântica e as novas ontologias que, com força cada vez mais crescente, vêm ganhando espaço nos debates contemporâneos travados no âmbito das Humanidades.
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