O lugar das historiadoras na memória disciplinar da História

Entrevista com Maria da Glória de Oliveira

Autores

  • Alicy de Oliveira Simas Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, alicysimas@gmail.com

Resumo

Esta entrevista fez parte de uma atividade proposta pelo professor Dr. Rogério Rosa Rodrigues, na disciplina História
do Tempo Presente: teoria e historiografia e teve como objetivo possibilitar e estimular o diálogo entre os doutorandas e doutorandos do PPGH-UDESC, e pesquisadoras e pesquisadores que estejam investigando temáticas próximas
aos nossos temas e problemas de pesquisa. No dia 19 de outubro de 2020, entrevistamos a professora Dra. Maria da Glória de Oliveira e conversamos sobre o lugar das historiadoras na memória disciplinar da história, bem como
os desafios do presente para novas abordagens no campo da História da Historiografia. Nessa oportunidade, a professora Glória problematizou a constituição do campo disciplinar e seu cânone historiográfico, construído predominantemente como masculino e branco, pontuou a importância política dos estudos sobre mulheres intelectuais no tempo presente, bem como repensar a epistemologia da história a partir de outras teorias, como o feminismo, a decolonialidade e a teoria pós-colonial.

Biografia do Autor

Alicy de Oliveira Simas, Universidade do Estado de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, alicysimas@gmail.com

Graduada em História (2018) e Mestra em História (2020) pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC). Atualmente é doutoranda do Programa de Pós-Graduação em História pela mesma instituição, na linha de pesquisa Políticas de Memória e Narrativas Históricas sob a orientação do Prof. Dr. Rogério Rosa Rodrigues. É bolsista pelo Programa de Demanda Social da CAPES (http://lattes.cnpq.br/8748425137212758).

Referências

BORDO, Susan. A feminista como o outro. Estudos Feministas, ano 8, p. 10-29, 1º. semestre de 2000.

BROWN, Wendy. Undoing the Demos: Neoliberalism’s Stealth Revolution. New York: Zone Books, 2015.

CERTEAU, Michel de. História e Psicanálise: entre ciência e ficção. Trad. de Guilherme J. de Freitas Teixeira. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2011.

CHAKRABARTY, Dipesh. Provincializing Europe. Postcolonial Thought and Historical Difference. Princeton, Princeton University Press. 2000.

CIXOUS, Hélène. Le rire de la Méduse. L´arc, Paris, n. 6, 1975.

FABIAN, Johannes. O Tempo e o Outro: Como a Antropologia Estabelece Seu Objeto. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2013.

HARTOG, François. Prefácio. In: IEGELSKI, Francine. Astronomia das constelações humanas: reflexões sobre C. Lévi-Strauss e a história. São Paulo: Humanitas, 2016, pp. 17-23.

LERNER, Gerda. A Criação do Patriarcado: História da opressão das mulheres pelos homens. São Paulo: Cultrix, 2019.

LÉVI-STRAUSS, Claude. O pensamento selvagem. Campinas: Papirus, 1989.

LIBLICK, Carmem Silvia da Fonseca Kummer. Uma história toda sua: trajetórias de historiadoras brasileiras (1934-1990). 2017. 343 f. Tese (Doutorado) - Curso de História, Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.

MACHADO, Daiane V. Por uma “ciência histórica”: o percurso intelectual de Cecília Westphalen, 1950-1998. 2016. 338 f. Tese (Doutorado) - Curso de História, Faculdade de Ciências e Letras de Assis, Universidade Estadual "Júlio de Mesquita Filho", Assis, 2016.

OLIVEIRA, Maria da Glória de. A história disciplinada e seus outros: reflexões sobre as (in)utilidades de uma categoria. In: AVILA, Arthur Lima de; NICOLAZZI, Fernando; TURIN, Rodrigo (orgs.). A História (in)Disciplinada: Teoria, ensino e difusão de conhecimento histórico. Vitória: Editora Milfontes, 2019.

OLIVEIRA, Maria da Glória de. Os sons do silêncio: interpelações feministas decoloniais à história da historiografia. História da Historiografia: International Journal of Theory and History of Historiography, [S.L.], v. 11, n. 28, p. 104-140, 8 dez. 2018. Sociedade Brasileira de Teoria e História da Historiografia.

PATEMAN, Carole. The sexual contract. Stanford, Stanford University Press, 1988.

PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero como categoria transversal na historiografia contemporânea. Topoi, v. 12, n. 22, p. 270-283, jan-jun. 2011.

RANCIÈRE, Jacques. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: EXO Experimental, 2009.

RUBIN, Gayle, “The traffic in women: notes on the political economy of sex” In: Rayna Reiter (org), Toward an anthropology of women. New York, Monthly View Press, 1975 (Trad. Bras. Jamille Pinheiro Dias. In: Políticas do sexo, São Paulo, Ubu, 2017).

SCOTT, Joan W. Gender: a useful category of historical analysis. The American Historical Review, v. 91, n. 5, dec. 1986.

SCOTT, Joan W. Unanswered questions. AHR Forum: revisiting “Gender: a useful category of historical analysis”. American Historical Review, v. 113, n. 5, dec. 2012.

SETH, Sanjay. Razão ou raciocínio? Clio ou Shiva? História da Historiografia, n. 11, abr. 2013.

VARIKAS, Eleni. Pensar o sexo e o gênero. Campinas: Editora da Unicamp, 2016.

WOOLF, Virginia. Profissões para mulheres e outros artigos feministas. Traduzido por Denise Bottmann. Porto Alegre: L & PM Editores, 2012.

Downloads

Publicado

30-07-2021

Como Citar

de Oliveira Simas, A. (2021). O lugar das historiadoras na memória disciplinar da História: Entrevista com Maria da Glória de Oliveira. Rth |, 24(1), 273–285. Recuperado de https://revistas.ufg.br/teoria/article/view/66917