Utopias e Ucronias

inquietações do presente e usos políticos do passado

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/hr.v26i2.68644

Resumo

Ao analisar a experiência de agrupamentos humanos engajados em causas transformadoras, observa-se que, recorrentemente, as premências do presente não apenas direcionam o olhar ao passado no sentido de diagnosticar obstáculos para modificar a situação corrente, como também na busca por experiências pretéritas que sirvam de inspiração para pensar o futuro. Assumindo este ponto de partida e por intermédio de análises bibliográficas, o manuscrito reflete acerca do itinerário histórico das concepções de utopia e de sua variante, a ucronia, de forma a identificar como estes futuros e passados idealizados dialogam com realidades concretas e com interesses de agrupamentos humanos específicos. Por fim, pondera a respeito da relação entre ucronia e os conceitos de “desacordo-diagnóstico” e de “autoafirmação-inspiração”, de forma a categorizar as estratégias de instrumentalização do passado pelos interesses transformadores e pela práxis política dos movimentos sociais contemporâneos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Mariana Affonso Penna, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil, mariana.penna@ifg.edu.br

Doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (2016), com período sanduíche em École des Hautes Études en Sciences Sociales (2014). Atualmente é professora da Licenciatura em História, do Ensino Técnico Integrado ao Ensino Médio e supervisora do Laboratório de Ensino de História (LEHIS) no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás. Coordena o projeto de pesquisa "História e Movimentos Sociais: ucronias e utopias".

Referências

ANDERSON, Benedict. Raízes Culturais In ANDERSON, Benedict. Comunidades imaginadas. São Paulo: Cia. das Letras, 2008.

ARENDT, Hannah. Compreender: formação, exílio e totalitarismo; ensaios (1930-1954). Editora Companhia das Letras, 2008.

BAKHTIN, Mikhail. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 1992.

BARY, Theodore & BLOOM, Irene (compilação). Sources of Chinese Tradition. From Earliest Times to 1600. Nova Iorque: Columbia University Press, 2000.

BENJAMIN, Walter. Teses Sobre o Conceito da História. In BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1987.

BOL, Peter Kees. Neo-Confucianism in History. Cambridge: Harvard University Asia Center, 2008.

BOL, Peter Kees. “This Culture of Ours”: Intellectual Transitions in T’ang and Sung China. Stanford, CA: Stanford University Press, 1992.

CHARTIER, Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Lisboa: Difel, 2002.

CHESNEAUX, Jean. Le mouvement paysan chinois (1840-1949). Paris: Éditions du Seuil, 1976.

CHESNEAUX, Jean. Devemos fazer tábula rasa do passado? Sobre a história e os historiadores. São Paulo: Ática, 1995.

DETONI, Vicente da Silveira. O Partido Saquarema na disputa pela partilha da autoridade sobre o passado: nova direita, movimentos monarquistas e o saber histórico no ocaso da Nova República brasileira. História e Cultura, v. 10, n. 1, pp.95-126. Disponível em: http://dx.doi.org/10.18223/hiscult.v10i1.3388.

ENGELS, Friedrich. As guerras camponesas na Alemanha. São Paulo: Editorial. Grijalbo, 1977.

ENGELS, Friedrich. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra. São Paulo: Boitempo, 2010.

ENGELS, Friedrich. Do Socialismo utópico ao socialismo científico. In. MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Obras Escolhidas. v. 2. São Paulo: Editora Alfa-Omega, 2001.

FARACO, Carlos Alberto. Linguagem & diálogo: as ideias linguísticas do círculo de Bakhtin. São Paulo, SP: Parábola, 2009.

FRANCO, Afonso Arino de Melo. O Pensamento Político no Renascimento. In FRANCO, Afonso Arino de Melo (org.). O Renascimento. Rio de Janeiro: Agir, Museu Nacional de Belas Artes, 1978.

FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986.

FOURIER, Charles. Œuvres Complètes, tome. VII. Paris: Anthropos, 1967.

GOODWIN, Geoff. Cerca del Rio y Lejos del Agua: Water, Autonomy, and Hope in the Ecuadorian Andes. In: Environment and Development. Palgrave Macmillan, Cham, 2021. p. 225-252.

GRAMSCI, Antonio. Cartas do Cárcere – Antologia. Galiza: Estaleiro Editora, 2011.

HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014.

HOBSBAWM, Eric. A Era do Capital: 1848-1875. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2015.

HOBSBAWM, Eric. Sobre a História. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.

HORKHEIMER, Max. Ein neuer Ideologiebegriff? Archiv für die Geschichte des Sozialismus und die Arbeiterbewegung, Leipzig, v. 15, p. 33-56, 1930.

KOSELLECK, Reinhart. Futuro passado. Rio de Janeiro: Contraponto, v. 25, 2006.

LIMA, Valesca. Participatory citizenship and crisis in contemporary Brazil. Springer, 2019. DOI: 10.1007/978-3-030-19120-7.

LÖWY, Michael. Utopie et chiliasme : Karl Manheim (1890-1947) comme sociologue des religions. In. DIANTEILL, Erwan & LÖWY, Michael. Sociologies et religion II. Approches dissidentes. Paris : Presses Universitaires de France, 2005a.

LÖWY, Michael. Romantismo e Messianismo: ensaios sobre Lukács e Walter Benjamin. São Paulo: Perspectiva, 2008

LÖWY, Michael. A filosofia da história de Walter Benjamin. Estudos Avançados, vol. 16 no. 45, p. 199-206, 2002.

LÖWY, Michael. Mística revolucionária: José Carlos Mariátegui e a religião. Estudos avançados. vol.19 no.55 São Paulo Sept./Dec. 2005b.

LYONS, Matthew N. Jack Donovan and Male Tribalism. In: Key Thinkers of the Radical Right. Oxford University Press, 2019. p. 242-258.

MARCUSE, H. Zur Wahrheitsproblematik der Soziologischen Methode In: HILFERDING, R. (Org.). Die Gesellschaft. v. 2. Berlim: 1929, p.364.

MANNHEIM, Karl. Ideologia e Utopia. Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1972.

MARIÁTEGUI, José Carlos. Por um socialismo indo-americano. Rio de Janeiro: UFRJ, 2005.

MARX, Karl. O Capital (Coleção Os Economistas). São Paulo: Nova Cultural, 1996.

MARX, Karl e ENGELS, Friedrich. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Penguin e Companhia das Letras, 2012.

MIES, Maria. Colonization and Housewifization. In MIES, Maria. Patriarchy and Accumulation on a World Scale: Women in the International Division of Labour. London: Zed, 1986.

MORE, Thomas. Utopia. Prefácio: João Almino; Tradução: Anah de Melo Franco Brasília: Editora Universidade de Brasília: Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais, 2004.

OLIVEIRA, Thiago Augusto Divardim de. “Meu avô disse que na ditadura não tinha vagabundo na rua!” : conflitos entre as memórias familiares e a história das salas de aula do IFPR (Campus Curitiba). História Revista, v. 25, n. 2, p. 373–393, 2020. DOI: 10.5216/hr.v25i2.52681. Disponível em: https://www.revistas.ufg.br/historia/article/view/52681. Acesso em: 30 ago. 2021.

OWEN, Robert: A New View of Society and other Writing. London/New York, 1972.

PAULSON, Justin. The uneven development of radical imagination. A Journal of Radical Theory, Culture and Action, v.4, n. 2, p. 33-38, 2010.

PENNA, Mariana Affonso. “À procura da Comunidade Perdida”: Histórias e Memórias do Movimento das Comunidades Populares. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal Fluminense, Programa de Pós- Graduação em História. Niterói, 2016. Disponível em: https://www.historia.uff.br/stricto/td/1842.pdf Acesso em: 27 jul. 2021.

PERROT, Michelle (org). História da vida privada, 4: Da Revolução Francesa à Primeira Guerra. Tradução Denise Bottmann, Bernardo Joffily. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

PORTELLI, Alessandro. The death of Luigi Trastulli and other stories: form and meaning in oral history. Albany: State University, 1991.

QUEIROZ, Maria Isaura Pereira de. O messianismo no Brasil e no mundo. São Paulo: Alfa-Ômega, 1976.

RENOUVIER, Charles. Uchronie, L'Utopie Dans L'Histoire: Esquisse Historique Apocryphe du Développement. 1876. Reprint. London: Forgotten Books, 2013.

ROANHORSE, Rebecca. Postcards from the Apocalypse. Uncanny: A magazine of Science Fiction and Fantasy. 2018. Disponível em: https://uncannymagazine.com/article/postcards-from-the-apocalypse/ Acesso em: 28 ago. 2020.

ROSENFELD Gavriel. The World Hitler Never Made: Alternate History and the Memory of Nazism. Cambridge: Cambridge University Press, 2005.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Renovar a teoria crítica e reinventar a emancipação social. São Paulo: Boitempo, 2007.

SAINT-SIMON, Henri. Du système industriel. Paris: Chez l'auteur, 1821. Digitalizado e disponível em : https://archive.org/details/dusystmeindustr00saingoog/page/n9/mode/2up Acesso em 17 Ago. 2020.

TERZI, Pietro. Contingency, Freedom, and Uchronic Narratives: Charles Renouvier's Philosophy of History in the Shadow of the Franco-Prussian War. In: Journal of the History of Ideas, volume 82, issue 2, p.257-278, 2021. DOI: 10.1353/jhi.2021.0013

THOMPSON, Edward Palmer. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Campinas, SP: UNICAMP, 2012.

THOMPSON, Edward Palmer. Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial. In. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. São Paulo: Cia. das Letras, 1998.

WOMACK, Ytasha. Afrofuturism: the world of black sci-fi and fantasy culture. Chicago: Lawrence Hill Books, 2013.

WOOD, Ellen Meiksins. A origem do capitalismo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2001.

Publicado

2021-11-04

Como Citar

AFFONSO PENNA, M. Utopias e Ucronias: inquietações do presente e usos políticos do passado . História Revista, Goiânia, v. 26, n. 2, p. 112–141, 2021. DOI: 10.5216/hr.v26i2.68644. Disponível em: https://revistas.ufg.br/historia/article/view/68644. Acesso em: 26 nov. 2022.

Edição

Seção

Dossiê "Cultura e barbárie: o mundo em tempos extremos"