O reino visigodo: catolicismo e permanências pagãs - doi: 10.5216/hr.v17i2.23568

Autores

  • Ruy de Oliveira Andrade Filho Unesp-Assis

DOI:

https://doi.org/10.5216/hr.v17i2.23568

Palavras-chave:

Cristianização, conversão, paganismo.

Resumo

O que se costumou chamar de “paganismo” é, sem dúvida, uma dasformas mais significativas daquilo que se costumou designar por “religiosidadepopular”. Tal expressão, que parece útil quando se pretende uma generalização,mostra toda sua fragilidade quando se tenta uma observação mais precisa e objetivade uma determinada religiosidade. A “conversão” oficial do reino visigodo aocatolicismo, com Recardo (586-601) no concílio de Toledo de 589 teria, efetivamente,correspondido à “conversão” da população desse reino? Em primeiro lugar, énecessário que consideremos, para além das intenções exaltadoras das fontes dessemomento, que as “conversões” em massa não implicam uma mudança radical nasconvicções e práticas religiosas de todo um povo. Em segundo, que “conversão” e“cristianização” não são sinônimos. A “religiosidade”, onde se insere a “conversão”,implica uma atitude religiosa fundamental, que pode ser simplesmente interior epessoal. Por seu turno, a “religião”, que engloba a “cristianização”, corresponderia aum aspecto público, institucionalizado, que elabora um conjunto de técnicas dirigidasque visa, como no caso da “religiosidade”, a garantia do sobrenatural. Assim, alçadaao posto de “religião oficial”, o cristianismo católico passaria a conviver com umasérie de ritos, cultos, devoções, oriundos da “religiosidade” anterior e que, sob suaótica eclesiástica, seriam condenáveis, consideradas marginais e que conduziriamao erro. Contudo, às vésperas da invasão muçulmana em 711, não somente entreos laicos mas inclusive nos segmentos eclesiásticos, as manifestações do chamado“paganismo” ainda eram alvo de condenações coercitivas nos concílios católicosdo reino de Toledo.

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Publicado

2012-12-31

Como Citar

ANDRADE FILHO, R. de O. O reino visigodo: catolicismo e permanências pagãs - doi: 10.5216/hr.v17i2.23568. História Revista, Goiânia, v. 17, n. 2, 2012. DOI: 10.5216/hr.v17i2.23568. Disponível em: https://revistas.ufg.br/historia/article/view/23568. Acesso em: 28 set. 2022.