PRAZO PRORROGADO – CHAMADA DE ARTIGOS PARA DOSSIÊ
A comissão editorial da História Revista informa a prorrogação do prazo de submissão de artigos para o dossiê temático, v. 31, n. 1, 2026: Ensino da História e cidadania crítica.
Hoje, numa realidade à escala internacional, reconhecem-se diferentes atropelos constantes às liberdades individuais, gestos e palavras que recordam regimes ditatoriais, informações falsas difundidas sem critério, ingerências políticas tomadas como adequadas. Consequentemente, a literacia histórica (LEE, 2016) precisa de estar presente na escola, na formação esclarecida de crianças e jovens. Não se trata de uma aprendizagem memorística, de senso comum, para fazer um brilharete em jogos de teste à cultura geral. Trata-se de uma efetiva aprendizagem histórica que, do local ao global, dos mais novos aos mais velhos, fomenta o raciocínio crítico, a assunção da agência individual e coletiva, a criação de horizontes de expectativa (RÜSEN, 2021).
A cidadania da infância (COCKBURN, 2013) é uma realidade efetiva e não pode ser negligenciada na sua riqueza política, social e pedagógica. Qualquer regime democrático é melhor quando é protagonizado por sujeitos esclarecidos, capazes de tomar decisões fundamentadas, perscrutadores da (des)informação que circula, por exemplo, nas redes sociais. E esta, que podemos entender como cidadania crítica (GIROUX, 2022), principia a construir-se cedo, em ambientes diversos, mormente na escola.
A escola, que não é panaceia para todos os males da sociedade, também não pode transformar-se em espaço exclusivo para somente algumas literacias a desenvolver. Como ilustra Biesta (2021), essa tendência traduz-se numa ‘dieta educacional’, que tende a reduzir toda a experiência educativa a componentes que se traduzem em aprendizagens mensuráveis. E aparentemente, assim, a qualidade dos sistemas educativos e o sucesso escolar só podem ser ajuizados com base exclusiva nos resultados de um conjunto cada vez mais restrito de componentes do currículo, tomando todas as outras experiências educativas e áreas de conhecimento como desnecessárias, inúteis ou, em última instância, perigosas.
Urge, então, uma problematização mais abrangente sobre as experiências educativas e curriculares, porquanto as mesmas não se reduzem a uma reflexão hermética e estritamente técnica, mas potenciam uma discussão sistemática sobre as repercussões políticas e sociais mais abrangentes que as decisões educativas e curriculares consubstanciam. Na verdade, importa entender a educação – e por inerência todos os seus constituintes – como um projeto público (DEMPSEY, 2023), que se articula com os múltiplos sistemas e estruturas sociais, podendo até transformá-los (FREIRE, 2013).
Este dossiê tem como objetivo coligir perspetivas conceptuais e formas de fazer distintas, mas que coincidem na tentativa de conciliar o processo de ensino e de aprendizagem da História e a assunção de uma cidadania crítica por parte de agentes que vivem e atuam no mundo atual. Incentiva-se, assim, a submissão de trabalhos que abordem tópicos como:
- os contributos da História estudada na escola para a formação cidadã de crianças e jovens;
- as dificuldades contemporâneas subjacentes à aprendizagem histórica e seus impactos nas sociedades;
- as políticas educativas e/ou as opções curriculares nacionais no âmbito das Ciências Sociais e Humanas;
- as decisões organizacionais que contribuem para a (des)valorização da educação histórica, assente na promoção de uma atitude social crítica e fundada na evidência;
- os desafios do presente sob a forma de inteligência artificial, multiculturalidade e ataques permanentes aos valores democráticos;
- a comparação entre decisões políticas e/ou práticas pedagógicas relativas ao ensino da História em diferentes geografias.
Submissões: até 15 de fevereiro de 2026
Organizadores:
Prof.ª Dra. Ana Isabel Moreira - Instituto Piaget V.N. Gaia, Portugal.
Prof. Dr. Pedro Duarte - Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto, Portugal.
