Práticas obstétricas durante o processo de parto vivenciadas por puérperas usuárias da Atenção Primária à Saúde no Sul do Brasil

Autores

  • Clarissa Ferraz Rodrigues Hospital Sofia Feldman (UFES), Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. E-mail: clarissa_3108@hotmail.com. https://orcid.org/0000-0002-7120-6992
  • Ketlen Christine Pereira Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: clarissa_3108@hotmail.com. https://orcid.org/0000-0002-8874-9387
  • Ana Elizabeth Prado Lima Figueiredo Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: anaef@pucrs.br. https://orcid.org/0000-0002-8555-8649
  • Carolina Baltar Day Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. E-mail: carolina.day@pucrs.br. https://orcid.org/0000-0002-5998-5735

DOI:

https://doi.org/10.5216/ree.v28.77977

Palavras-chave:

Cuidado Pré-Natal, Violência Obstétrica, Enfermagem

Resumo

Objetivos: investigar as práticas obstétricas vivenciadas por puérperas usuárias da Atenção Primária à Saúde durante o processo de parto no contexto hospitalar, no Sul do Brasil. Métodos: estudo transversal, realizado em uma unidade de saúde do município de Porto Alegre. A amostra não randomizada foi composta por puérperas que realizaram pré-natal em uma unidade da Atenção Primária à Saúde, com período máximo de um ano transcorrido desde o parto. Resultados: foram incluídas no estudo 50 puérperas, das quais 86,0% relataram terem sido submetidas a pelo menos uma prática prejudicial durante a assistência ao seu trabalho de parto e parto, dentre elas, o parto em litotomia, falta de liberdade de escolha para a posição do parto e medidas para acelerar o trabalho de parto. Todas relataram ter vivenciado algum tipo de boas práticas, principalmente relacionadas às medidas não farmacológicas de alívio da dor. Conclusão: boas práticas coexistem com uma alta taxa de violência obstétrica no processo de parto relatado por mulheres atendidas na Atenção Primária à Saúde em uma capital da região Sul do Brasil. Este fato demonstra a incompletude do processo de transição do modelo obstétrico que vem ocorrendo nos últimos anos.

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Publicado

15/03/2026

Edição

Seção

Artigo Original