A enfermagem psiquiátrica e saúde mental: a necessária constituição de competências na formação e na prática do enfermeiro

Autores

  • Roselma Lucchese Universidade Federal de Mato Grosso, Faculdade de Enfermagem

DOI:

https://doi.org/10.5216/ree.v9i3.7527

Palavras-chave:

Enfermagem psiquiátrica, Saúde mental, Enfermeiros (Formação profissional), Competência profissional, Educação (Enfermagem)

Resumo

Atualmente, vários estudos são encontrados na área de enfermagem saúde mental/ psiquiátrica que descrevem o descompasso entre o ensino e a prática da enfermagem em saúde mental e desses com as políticas nacionais de saúde mental. Este cenário é um dos fatores que colabora para a formação de profissionais acríticos e pouco atuantes politicamente dentro de um contexto de Reforma Psiquiátrica. Acresce-se o fato de estarmos inseridos em uma sociedade pós-moderna, em constante transformação, na qual as tradicionais práticas educativas já não sustentam ações para atender as necessidades contemporâneas. A percepção de que os professores ao formularem seus planos e objetivos, para o ensino, acreditam que estão formando enfermeiros competentes para a prática assistencial em saúde mental, conforme os princípios da Reforma Psiquiátrica, porém, sem definição do referencial pedagógico que sustente este processo ensino-aprendizagem, motivou este estudo que teve por finalidade confrontar o referencial da pedagogia das competências com o referencial pedagógico dos educadores, sujeitos da pesquisa. Os objetivos foram os de analisar a representação dos sujeitos da pesquisa (docentes e enfermeiros de campo) sobre competência; identificar os conhecimentos necessários e as habilidades que devem ser desenvolvidas pelo enfermeiro para a construção das competências; identificar limites e possibilidades para a construção de competências, para o ensino da prática de enfermagem saúde mental e psiquiátrica. Os elementos teóricos que fundamentaram esta investigação teve como base a “pedagogia das competências” e o referencial teórico–filosófico do materialismo histórico-dialético. Para conhecimento do objeto foram definidas as categorias analíticas práxis e relações sociais de produção. A coleta de dados realizou-se a partir de grupos focais e análise de discurso. Foram identificadas as categorias empíricas “Competência: saber administrar uma situação complexa”; “Competência e a mobilização de recursos pessoais e do meio” e “Agir com competência”. A investigação revelou que os enfermeiros aproximam-se do conceito pedagógico de competência: mobilização de recursos pessoais e do meio para agir eficazmente em um determinado contexto. Os depoentes revelaram uma insatisfação com o modelo pedagógico aplicado na formação geral do enfermeiro e estão num processo de mobilização, de busca de outros modelos. Não conseguiram superar os paradigmas tradicionais, mas, estão em movimento. Pode-se afirmar que o ensino de enfermagem em saúde mental não vem formando para competência; embora alguns discursos já incorporem as novas tendências pedagógicas. Sugere-se que a superação das contradições identificadas no processo passe pela adoção de um modelo fundamentado nos pressupostos da pedagogia das competências.

Palavras chave: Enfermagem psiquiátrica; Saúde mental; Enfermeiros (Formação profissional); Competência profissional; Educação (Enfermagem)

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Publicado

19/09/2009

Como Citar

1.
Lucchese R. A enfermagem psiquiátrica e saúde mental: a necessária constituição de competências na formação e na prática do enfermeiro. Rev. Eletr. Enferm. [Internet]. 19º de setembro de 2009 [citado 27º de maio de 2022];9(3). Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/article/view/7527

Edição

Seção

Resumo