Desviantes, a Arte e a Cidade

A população não-masculina reivindica o direito à cidade através da cultura

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/revjat.v7.83409

Palavras-chave:

Desigualdade de gênero, Cultura, Direito à Cidade

Resumo

Este artigo analisa como a produção cultural de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ periféricas atua como mecanismo de resistência e reivindicação do direito à cidade. A partir de uma pesquisa em andamento vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Projeto e Cidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), investiga-se a exclusão simbólica e material de corpos não-masculinos no espaço urbano, com foco na cidade de Goiânia. Fundamentado em uma abordagem interseccional e feminista, o estudo articula revisão bibliográfica e levantamento de dados secundários sobre a presença e visibilidade de sujeitos não-masculinos no campo cultural. Os resultados revelam uma concentração de recursos e reconhecimento em torno de figuras masculinas cis, ao passo que as produções periféricas femininas e dissidentes seguem sub-representadas e deslegitimadas. Argumenta-se que, diante da ausência de políticas culturais inclusivas e da centralização dos equipamentos culturais, a arte produzida nas margens torna-se uma forma de (re)existência e territorialização. Assim, o artigo propõe que o direito à cidade transcende o acesso físico e envolve o reconhecimento simbólico e político das expressões culturais dissidentes.

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Biografia do Autor

Raquel França Oliveira, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil, raquel_franca@discente.ufg.br

Bacharel em Arquitetura e Urbanismo pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (2022). Bacharel em Turismo no Instituto Federal de Goiás (2024)

Karla Emmanuela Ribeiro Hora, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, Goiás, Brasil

Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Católica de Goiás - UCG (2001), mestrado em Geografia pelo Instituto de Estudos Socioambiental da Universidade Federal de Goiás - IESA/UFG (2003) e doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná - MADE / UFPR(2009). Atuou em funções de direção e técnica na administração pública municipal nas áreas de: planejamento urbano ambiental e saneamento ambiental. Exerceu a função de Diretora de Políticas para Mulheres no Ministério do Desenvolvimento Agrário (período de outubro/2012-março/2015) e de Diretora da Escola de Engenharia Civil e Ambiental (EECA) da UFG (período maio/2019 a maio/2023). É professora Associado, lotada na Escola de Engenharia Civil e Ambiental, da Universidade Federal de Goiás (EECA/UFG) e docente nos Programas de Pós Graduação Projeto e Cidade (PROCIDADES/FAV/UFG) e Ciências Ambientais (PPGCIAMB/UFG). Os temas recentes de pesquisa versam sobre: Planejamento Urbano e Ambiental; Agricultura Urbana e Periurbana; Tecnologias Sociais, Habitação Rural e Gênero; Gênero e Cidades; Conflitos socioambientais e o extrativismo agrário. Bolsista Produtividade PQ-IC (FAPEG/CNPq) 

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Publicado

2025-10-31

Como Citar

OLIVEIRA, Raquel França; HORA, Karla Emmanuela Ribeiro. Desviantes, a Arte e a Cidade: A população não-masculina reivindica o direito à cidade através da cultura. Revista Jatobá, Goiânia, v. 7, 2025. DOI: 10.5216/revjat.v7.83409. Disponível em: https://revistas.ufg.br/revjat/article/view/83409. Acesso em: 12 jan. 2026.

Edição

Seção

Dossiê Territórios Insurgentes