Desviantes, a Arte e a Cidade
A população não-masculina reivindica o direito à cidade através da cultura
DOI:
https://doi.org/10.5216/revjat.v7.83409Palavras-chave:
Desigualdade de gênero, Cultura, Direito à CidadeResumo
Este artigo analisa como a produção cultural de mulheres e pessoas LGBTQIAPN+ periféricas atua como mecanismo de resistência e reivindicação do direito à cidade. A partir de uma pesquisa em andamento vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Projeto e Cidade da Universidade Federal de Goiás (UFG), investiga-se a exclusão simbólica e material de corpos não-masculinos no espaço urbano, com foco na cidade de Goiânia. Fundamentado em uma abordagem interseccional e feminista, o estudo articula revisão bibliográfica e levantamento de dados secundários sobre a presença e visibilidade de sujeitos não-masculinos no campo cultural. Os resultados revelam uma concentração de recursos e reconhecimento em torno de figuras masculinas cis, ao passo que as produções periféricas femininas e dissidentes seguem sub-representadas e deslegitimadas. Argumenta-se que, diante da ausência de políticas culturais inclusivas e da centralização dos equipamentos culturais, a arte produzida nas margens torna-se uma forma de (re)existência e territorialização. Assim, o artigo propõe que o direito à cidade transcende o acesso físico e envolve o reconhecimento simbólico e político das expressões culturais dissidentes.
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