“O QUE É QUE A DANÇA TEM A VER COM ISSO?”

Considerações sobre perspectivas descentralizadoras e antirracistas em Dança

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/ac.v6i2.65613

Resumo

Esse artigo tem o objetivo de compartilhar elementos discursivos para a estruturação de estratégias de combate ao racismo e, com isso, busca colaborar com o esforço de descentramento das perspectivas teóricas no ensino e na criação em dança no contexto universitário. Deste modo, partimos da premissa de que as universidades são espaços reprodutores de conhecimentos racistas e promotores de violências epistêmicas e culturais para tratarmos a possibilidade de uma experiência formativa contra-hegemônica em dança. Acreditamos que a estrutura social racista no Brasil fundamenta exclusões e privilégios no contexto do ensino de dança, sobretudo, àquele desenvolvido no ambiente universitário, por meio de conteúdos historiográficos hegemônicos, através de referencialidades que se pretendem universais, a partir de abordagens que fomentam a folclorização da presença negra nas artes. Nossa intenção, portanto, consiste em elaborar uma crítica ao que tem sido legitimado como padrão de ensino da dança e, para tanto, apresentamos a ideia da afrocentricidade como um paradigma descentralizador, capaz de desestabilizar as normas hegemônicas e redefinir novas prioridades nas práticas de ensino e criação em dança a partir de rupturas com projetos de reprodução e exploração colonial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Victor Hugo Neves de Oliveira, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Paraíba, Brasil.

Professor do Departamento de Artes Cênicas da Universidade Federal da Paraíba. Doutorando em Ciências Sociais (2012-2016) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Thiago da Silva Laurentino, Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.

Possui graduação em Psicologia pelo Centro Universitário do Rio Grande do Norte - UNIRN (2012), Especialização em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte - IFRN (2014). Mestrado em Gestão Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (2017) e desenvolve o Doutorado em Psicologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Atualmente é Psicólogo do Programa de Atenção à Saúde Mental – PROAE/UFRN.

Referências

ASANTE, Molefi Kete. Afrocentricidade: Notas sobre uma Posição Disciplinar. In.: NASCIMENTO, Elisa Larkin (Org.). Afrocentricidade: uma Abordagem Inovadora. São Paulo. Selo Negro, 2009.

CESAR, Layla Jorge Teixeira; NETO, Joaquim José Soares. O MESPT e a contra colonização da Universidade. Interethnic@ - Revista de Estudos em Relações Interétnicas, Brasília,v. 22, n. 1, p. 116-141, jul. 2019.

HARTMANN, Luciana, CARVALHO, José Jorge de; SILVA, Renata de Lima; ABREU, Joana. Tradição e Tradução de Saberes Performático nas universidades brasileiras. Repertório, Salvador, ano 22, n. 33, p. 8-30, 2019-2.

KEALIINOHOMOKU, Joann W. Une anthropologue regarde le ballet classique comme une forme de danse ethnique. Nouvelles de danse, n. 34/35, p. 47-67, 1998.

KILOMBA, Grada. Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

MOREIRA, Adilson. Racismo recreativo. São Paulo: Pólen, 2019.

OLIVEIRA, Victor Hugo Neves de. O cão celebra com o rabo, mas morde com a boca: pistas iniciais para a produção de uma dança preta. Revista Rascunhos - Caminhos da Pesquisa em Artes Cênicas, v. 7, n. 1, 17 jun. 2020.

QUIJANO, A. Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. (Org.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 84-130.

RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

SANTOS, B. S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, B. S.; MENESES, M. P. (Org.). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, 2010. p. 31-83.

SOUZA, Julianna Rosa de. As estruturas do racismo no campo teatral: contribuições para pensar a branquitude e a naturalização do perfil branco na construção de personagens. Pitágoras 500, v. 10, n. 1, 30 jul. 2020.

Downloads

Publicado

2020-12-26

Como Citar

OLIVEIRA, V. H. N. de; LAURENTINO, T. da S. “O QUE É QUE A DANÇA TEM A VER COM ISSO?”: Considerações sobre perspectivas descentralizadoras e antirracistas em Dança. Arte da Cena (Art on Stage), Goiânia, v. 6, n. 2, p. 258–275, 2020. DOI: 10.5216/ac.v6i2.65613. Disponível em: https://revistas.ufg.br/artce/article/view/65613. Acesso em: 1 mar. 2024.

Edição

Seção

Dossiê Temático: Eixo 3: Antropologias