ANÁLISE FONOLÓGICA E SEMÂNTICO-COGNITIVA DOS IDEOFONES DO CHANGANA

Autores

  • David LANGA Universidade Eduardo Mondlane
  • Ezra Chambal NHAMPOCA Universidade Eduardo Mondlane

DOI:

https://doi.org/10.5216/lep.v22i2.56563

Resumo

A presente comunicação visa apresentar e discutir os ideofones em Changana (S53). Os ideofones são a associação entre um determinado som, cor, estado, dor, intensidade, etc. e a consequente reação na mente do indivíduo (DOKE, 1935; SITOE, 1996). Desde esta data, vários estudos e propostas de definição de ideofones foram realizados, mais recentemente Nhampoca (2018, p. 284) propõe ideofones como “uma unidade lexical marcada que desempenha, principalmente, a função predicadora e modificadora de uma ação, um evento, um estado, marcando cenas intensas que ocorrem em situações específicas na língua”. O conceito inovador na teoria linguística, visto que a sua semântica, fonologia e sobretudo morfologia não cabiam nas cinco categorias lexicais principais tradicionais a saber: “N(ome), V(erbo), ADJ(ectivo), ADV(érbio) e PREP(osição) categorias tradiconais (LANGA, 2004; 2013). O presente estudo é interdisciplinar envolvendo a área da linguística cognitiva, teoria de marcação tipológica (CROFT, 2000; 2001) e o princípio de marcação (GIVON, 1995; 2001) e área da fonologia, teoria de traços distintivos (CHOMSKY & HALLE, 1968) e a peso fonológico (HYMAN, 1975; NGUNGA, 2000). O texto argumenta que, em Changana, o ideofone é um predicador marcado em relação ao verbo na medida em que o verbo predica no estado básico das coisas e o ideofone em situações específicas. Fonologicamente, os ideofones ganham intensidade e expressividade através das unidades portadoras de tom, tal que o peso fonológico é proporcional à construção cognitiva do falante/ouvinte. A metodologia de recolha de dados usada foi a consulta bibliográfica (NHAMPOCA, 2010; SITOE, 2011) e entrevista. A análise de dados é baseada na gramática de construções radical (CROFT, 2000, 2001) e através do método experimental (speeech analyser). O estudo conclui que há uma clara interdisciplinaridade entre as duas áreas discutidas e que ideofones são palavras marcadas que pode intensificar sua carga semântico-cognitiva em conformidade com o peso da vogal.

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Biografia do Autor

David LANGA, Universidade Eduardo Mondlane

Mestre e doutor em Linguística, pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique. Pesquisador na área de Fonética e Fonologia das Línguas Bantu.

Ezra Chambal NHAMPOCA, Universidade Eduardo Mondlane

Mestre em Linguística, pela Universidade Eduardo Mondlane, Moçambique, e Doutora em Línguística pela Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil. Pesquisadora em Lexicologia e  Lexicografia das línguas bantu e do português de Moçambique.

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Publicado

2019-01-03

Como Citar

LANGA, D.; NHAMPOCA, E. C. ANÁLISE FONOLÓGICA E SEMÂNTICO-COGNITIVA DOS IDEOFONES DO CHANGANA. Linguagem: Estudos e Pesquisas, Goiânia, v. 22, n. 2, 2019. DOI: 10.5216/lep.v22i2.56563. Disponível em: https://revistas.ufg.br/lep/article/view/56563. Acesso em: 6 out. 2022.

Edição

Seção

Vozes de África