Controle da malária: eficácia de formulados de Bacillus sphaericus 2362 contra larvas de espécies de Anopheles em criadouros artificiais-tanques de piscicultura e criadouros de olaria

Autores

  • Iléa Brandão Rodrigues
  • Wanderli Pedro Tadei
  • Rosely Lacorte Cordeiro dos Santos
  • Soraya dos Santos
  • João Bosco Baggio

DOI:

https://doi.org/10.5216/rpt.v37i2.5047

Palavras-chave:

Malária, Controle biológico, Anofelinos, Bacillus sphaericus.

Resumo

Objetivo: Avaliar a eficácia e a persistência de diferentes formulações de Bacillus sphaericus 2362, em doses com o dobro do que é recomendado pelos fabricantes, para controle das formas imaturas de espécies de Anopheles, vetor da malária, diante da composição da água dos criadouros artificiais. Métodos: Tanques de piscicultura e lagoas de olaria, localizados nos municípios de Manaus e Iranduba e contendo formas imaturas de anofelinos, foram tratados com concentrações dobradas. As doses dos larvicidas ? Vectolex- 22Kg/ha, Griselesf- 200L/ha e Spherimos- 6L/ha ? foram aplicadas nos seguintes criadouros: Síio Fazendinha- 7 tanques e 1 controle (sem larvicidas); Síio Trê Irmãs- 6 tanques e 1 controle; Síio Santa Cecíia- 9 tanques e 2 controles; Olaria Cerama- 26 lagoas e 5 controles. Coletas de anofelinos para determinar os ídices de larva por homem/hora (ILHH) das formas jovens (1ºe 2ºestáios) e das formas maduras (3ºe 4ºestáios) foram feitas antes da aplicaçã e apó no 2º 7º 14º 21º 28ºe 35ºdias. Resultados: Os resultados da densidade larvária nos criadouros artificiais demonstram que, nos tanques de piscicultura, o número de larvas observado foi quatro vezes maior (33.729 larvas) do que nos criadouros de olaria (7.972 larvas).Na avaliação dos formulados nos tanques de piscicultura de Manaus e Iranduba, observaram-se menores valores do ILHH, na leitura do 2º dia, nos criadouros onde se aplicaram Vectolex e Spherimos do que nos criadouros-controle; nos tanques tratados com Griselesf, ao contrário, os valores do ILHH estavam próximos aos encontrados no controle, ultrapassando esses índices larvários nas demais observações. Os formulados Spherimos e Vectolex apresentaram padrões similares de redução próximos a 100%, no 2º dia de observação, tanto para as larvas jovens como para as maduras. Quando se consideram os resultados para o Griselesf, a maior porcentagem de redução foi de 55% para as larvas maduras; em relação às larvas jovens de anofelinos a redução foi de 36%. Na avaliação dos formulados aplicados em criadouros de olaria em Iranduba, verificou-se que, na leitura do 2º dia após a aplicação dos larvicidas, os índices larvários se mostraram baixos (0,5) nos criadouros tratados com Vectolex, quando comparados aos índices do controle (1,2); para os demais larvicidas, nesta leitura, os valores do ILHH foram maiores do que nos criadouros não tratados. Nas observações seguintes, os índices de anofelinos aumentaram ou foram equivalentes aos controles. As porcentagens de redução de larvas maduras e jovens de anofelinos nos criadouros de olaria mostraram que os formulados Griselesf, Vectolex e Spherimos apresentaram pouca atividade larvicida contra as larvas maduras de anofelinos, sendo registrada a maior redução para o larvicida Vectolex (38%). As larvas jovens foram mais suscetíveis ao formulado Spherimos, com redução mínima de 45% e máxima de 72% dos anofelinos. O Griselesf apresentou redução de 55% no 2º dia e 76% no 35º dia de observação; ao passo que o Vectolex reduziu 8% das larvas jovens nestes criadouros artificiais no 2º dia. Conclusões: Os dois tipos de criadouros artificiais, os tanques de piscicultura e os criadouros de olaria, apresentam condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento de espécies de Anopheles. A dose dobrada dos formulados - Spherimos e Vectolex - aplicada nos tanques de piscicultura foi efetiva contra larvas de espécies de Anopheles; os criadouros de olaria, no entanto, apresentaram baixa atividade larvicida para os diferentes formulados. Nos tanques de piscicultura, a maior redução de larva com os larvicidas testados ocorreu no 2º dia, mantendo-se baixo o número de larvas de anofelinos por 35 dias com Vectolex e 21 dias com o Spherimos. Esses resultados indicam que larvicidas bacterianos podem ser mais umcomponente utilizado em uma ação integrada nas campanhas de saúde pública.

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Publicado

2008-11-06

Como Citar

RODRIGUES, I. B.; TADEI, W. P.; SANTOS, R. L. C. dos; DOS SANTOS, S.; BAGGIO, J. B. Controle da malária: eficácia de formulados de Bacillus sphaericus 2362 contra larvas de espécies de Anopheles em criadouros artificiais-tanques de piscicultura e criadouros de olaria. Revista de Patologia Tropical / Journal of Tropical Pathology, Goiânia, v. 37, n. 2, p. 161–176, 2008. DOI: 10.5216/rpt.v37i2.5047. Disponível em: https://revistas.ufg.br/iptsp/article/view/5047. Acesso em: 18 ago. 2022.

Edição

Seção

ARTIGOS ORIGINAIS / ORIGINAL ARTICLES