Do projeto nacional à agenda corporativa: a formação territorial da Ferrovia Norte-Sul na segunda metade do século XX
DOI:
https://doi.org/10.5216/ag.v20i2.87059Resumo
O objetivo deste trabalho é analisar a formação da Ferrovia Norte-Sul (FNS) na segunda metade do século XX, considerando sua passagem de um projeto de integração nacional para uma infraestrutura voltada à fluidez seletiva e ao uso corporativo do território. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica, análise documental e dados secundários, com foco nas políticas econômicas e transformações institucionais que condicionaram sua implantação. Embora a ideia de um eixo ferroviário norte-sul remonte ao século XIX, a FNS foi lançada em 1987 em meio a disputas políticas e interesses empresariais. Na década de 1990, o avanço neoliberal e a privatização ferroviária reforçaram os circuitos primário-exportadores e limitaram o planejamento estatal orientado ao desenvolvimento social e das forças produtivas nacionais. Assim, conclui-se que a FNS foi operacionalizada como infraestrutura seletiva, funcional aos grandes grupos corporativos que aprofundam a dependência externa e intensificam formas seletivas e desiguais de uso do território nacional.
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