Edições anteriores

  • OPSIS
    v. 20 n. 1 (2020)

    O novo número da revista Opsis vem à público em meio à maior emergência de saúde pública desde a epidemia de H1N1 em 1918, numa crise sanitária que eclode em meio à mais profunda crise do capital. A intensificação da exploração em curso desde a crise de 2008, encontrou nova oportunidade para a acumulação e centralização de capital em níveis jamais antes experimentados, chegando ao anúncio da fortuna de uma única pessoa de 200 bilhões de dólares. Este processo tende a eliminar as camadas médias e submeter as classes trabalhadoras a níveis crescentemente degradantes de existência, fazendo desaparecer os parcos direitos sociais nos locais do mundo em que eles foram conquistados e, em muitos outros, como na África e América Latina, condenando populações inteiras a desaparecimento físico ou cultural, mostrando a reversibilidade da conquista de direitos e a ilusão de seu acúmulo constante.

    Numa conjuntura tão difícil, a revista Opsis, composta de artigos livres, apresenta diversos estudos e reflexões que direta ou indiretamente referem-se à temas de interesse que crescentemente são debatidos nestes tempos de isolamento social. Acreditamos que a Universidade é um lugar de lutas sociais e ideológicas, e nesse sentido, num momento em que a ciência é questionada, os direitos conquistados são atacados e a academia é desacreditada por vários setores da sociedade, a revista Opsis espera contribuir para o debate com artigos que colaborem com o pensamento crítico e enriquecimento teórico.

    *O Portal de Periódicos da Universidade Federal de Goiás (UFG) foi vítima de hackeamento. Todas as revistas presentes no Portal foram afetadas e nossa revista está entre elas. Após um trabalho árduo das equipes envolvidas, verificou-se que muitos arquivos foram perdidos. A restauração integral de todos os arquivos será um trabalho lento e delicado, com checagem de cada volume já publicado e do estado das submissões em andamento. Dessa forma, inevitavelmente, os volumes referentes a 2020 sofrerão atrasos na sua publicação. Reafirmamos nosso compromisso de trabalhar para que tudo seja recuperado e pedimos a compreensão de nossos leitores/as e autores/as.

    Equipe Editorial

     

  • v. 19 n. 2 (2019)

    É com alegria que apresentamos mais um número da Revista OPSIS. Nossa Revista, ao longo de seus 18 anos de existência, tem sido fiel ao significado de seu nome: “um termo grego que significa visão e designa aquilo é visível e confiado ao olhar, à observação”. Nesse sentido, este segundo número de 2019, ao priorizar o pensamento histórico, lança-se ao desafio de pensar o fardo que recai sobre os ombros de historiadoras e historiadores, nesta grave conjuntura econômica, social e política vivida pela sociedade brasileira. Neste momento, mais que em qualquer outro, da jovem democracia brasileira pós-ditadura militar, somos chamados a combater o revisionismo histórico que se sustenta fortemente em uma postura anticonhecimento. Mas, nós sabemos que a suspeita que cai sobre os especialistas, nestes tempos de pós-verdade, é parte de uma questão histórica maior.

    Por isso, neste cenário, defendemos que o pensamento histórico pode oferecer importantes aportes teórico-metodológicos para o debate, tendo em vista que o enterro público de “fatos objetivos” e “apelos à emoção e crença pessoal” não são questões estranhas à História, uma vez que estamos acostumados a nos questionar sobre os fatos e os testemunhos históricos. Esse desafio é enfrentado, frontal ou tangencialmente, pelo conjunto de textos apresentados neste número da Revista OPSIS.

     

  • Cultura, Patrimônio, Memória: reflexões teóricas e metodológicas na história
    v. 19 n. 1 (2019)

    Esse dossiê tem como pretensão refletir sobre as interfaces entre Cultura, Patrimônio e memória  na história ensinada, isso porque  tem-se nos últimos anos, uma relevância histórico-social de valorização, manutenção e difusão dos elementos patrimoniais e de memória de grupos e comunidades. Além disso, o campo epistemológico da história ensinada, tem aglutinado diferentes pesquisas que inserem novas abordagens, linguagens e fontes históricas que produzem o sentido histórico.

    Neste sentido, ao analisar as possibilidades de leitura de mundo a partir do contato e compreensão do que representa o patrimônio material e imaterial na História  ensinada, percebemos a importância de reunir discussões e estabelecer diálogos. Para  Maria de Lourdes Horta (1999) há alguns princípios que devem reger a educação patrimonial, para que seja possível compreender o processo permanente e sistemático do trabalho educacional, que utiliza o patrimônio cultural como fonte primária de conhecimento e enriquecimento individual e coletivo.

    As determinações sobre a preservação, socialização e difusão do patrimônio cultural material e imaterial, baseiam-se nas transformações ao longo do tempo, a partir do decreto-lei n 25, de 20 de novembro de 1937, promulgado pelo presidente Getúlio Vargas; bem como da difusão do artigo 216 da constituição de 1988, e a divulgação do decreto-lei n 3.551 de 04 de agosto de 2000, que “ institui o registro de bens culturais de natureza imaterial que constituem o patrimônio cultural brasileiro”, criando o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial. Percebe-se que a partir da perspectiva de que a reprodução social, assim como os elementos culturais apontam para os princípios de intervenção na organização do que ensinar, como ensinar? Por que ensinar?

    Neste sentido, os códigos curriculares são, assim, denominações que se reportam às tradições culturais, embora o fato de admitir o valor de uma tradição ou cultura não seja necessariamente, um ato tradicionalista (PACHECO, 2005, p.70). Os modos de organizar os elementos que fazem parte da disciplina escolar, especialmente a disciplina história, são modos particulares de interpretar a realidade escolar.

    Na experiência histórica, trata-se sempre de sentido do tempo, mas sobretudo também dos sentidos como porta de entrada do mundo exterior na subjetividade humana. O tempo é experimentado historicamente, mas não simplesmente como transformação e mudança e sim como uma transformação processual importante para a vida humana, que possui significado, mais exatamente: “que precisa ser dotada de significado para que a vida possa prosseguir na mudança experimentada pelo ser humano e pelo mundo.”( RÜSEN, 2013, p. 182/183)

    A complexidade  da abordagem sobre o patrimônio cultural na aula de história tem sensibilizado diferentes fundamentações, estudos e narrativas. Ao abordar o patrimônio cultural, emerge primeiramente a informação clássica de que este é “o conjunto de monumentos e edifícios antigos, ou seja, ao chamado Patrimônio Edificado ou Arquitetônico constituído de bens imóveis” ( referência??).  Mas, ao problematizar sua utilização na aula de história da Educação Básica, pretende-se aprofundar e ampliar as noções acerca dos costumes, tradições, sensibilidade para valorização dos bens, identidades e fundamentar a consciência preservacionista em todos os âmbitos.

    Há ainda, alguns encaminhamentos epistemológicos de um lado, sobre o patrimônio cultural e, de outro lado, sobre a educação patrimonial, pois para alguns estudiosos abordar a questão do patrimônio já pressupõe educar. E para outros, é necessário utilizar o conceito de educação patrimonial, uma vez que estabelece critérios e inserções no espaço escolar. Na legislação nacional,  tem-se na Lei de Diretrizes e Bases (Lei nº 9.394/96),  a seguinte determinação sobre a  importância de valorizar os elementos culturais,  principalmente focando sobre o ‘acervo cultural do municípios’. O artigo 26, estabelece que: “a parte diversificada dos currículos do ensino fundamental e médio deve observar as características regionais e locais da sociedade e da cultura(...) voltada para a divulgação do acervo cultural dos municípios e estados”. (BRASIL, LDB 9394/96)

    A ação educativa na aula de história, pode abordar o próprio conceito de patrimônio cultural, sensibilizando os alunos para o conhecimento acerca de elementos que estiveram presentes na sociedade, em diferentes tempos e em diferentes representações. Entendendo, desta forma, a visita a um museu pode tornar-se uma investigação sobre esse espaço como um  lugar de memória, que pode  ter representado diferentes elementos da cultura de grupos sociais. Mais do que um lugar que agrega objetos, artefatos, imagens, esse espaço pode ser compreendido como um lugar que considera a relevância do reconhecimento do patrimônio como elo de entendimento da diversidade cultural brasileira.

    Pensar numa educação voltada para a preservação, divulgação, socialização e produção do conhecimento sobre o patrimônio cultural material e imaterial  coloca em discussão as ações que são realizadas nas aulas de história, ações essas nas quais podemos assumir o compromisso com a memória de diferentes gerações, que imprimem seus legados e nos exigem novas abordagens curriculares, posicionamentos profissionais e sociais que aproximando o passado histórico do presente, fundamenta práticas de valorização no futuro.

     

     

     

     

  • Dossiê: Os Usos da Memória: Representações do Passado nas Fontes Medievais
    v. 18 n. 1 (2018)
    Renata Cristina de S. Nascimento e Aline Dias da Silveira
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