Momento shakespeareano da escrita da história
O Hamlet negro de C. L. R. James
DOI:
https://doi.org/10.5216/rth.v29.83723Palavras-chave:
C. L. R. James, William Shakespeare, Dialética, Tragédia, NarrativaResumo
Este texto examina a reescrita de Os jacobinos negros, de C. L. R. James, comparando as edições de 1938 e de 1963. Partindo do diagnóstico narrativo de David Scott, em diálogo com a teoria do texto historiográfico de Hayden White, argumenta-se que houve uma mudança do enredo romanesco para o trágico, associada à reconfiguração do horizonte histórico. O texto propõe que tal mudança pode ser compreendida como um “momento shakespeareano”, nos termos de Eduardo Rinesi, em que a dialética e a tragédia se entrelaçam. A partir dessa chave interpretativa, mobiliza-se a interlocução entre James e Hamlet, de William Shakespeare, para reler os acréscimos de 1963 e o capítulo final da obra. Sustenta-se que a figura de Toussaint L’Ouverture é reconfigurada como um agente trágico situado em um “tempo fora dos eixos”, no qual a tensão entre a República e o sistema de plantação redefine os objetivos da Revolução Haitiana. O ensaio demonstra que a leitura scottiana, embora decisiva, encobre uma tensão não explorada entre tragédia e dialética, cujo traço se manifesta nos elementos hamletianos da reconstrução de Toussaint e na função política do coro dos escravizados.
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