[Prorrogação de prazo] Dossiê "Narrativas Afro-Indígenas nas Ciências da Linguagem" (Volume 39)

2025-10-27

Dossiê: Narrativas Afro-Indígenas nas Ciências da Linguagem

Organizadoras:

Tânia Ferreira Rezende (UFG - Brasil)

Mariana Fernandes dos Santos (IFBA/UFSB - Brasil)

Teresa Maria Alfredo Manjate (UEM - Moçambique)

As narrativas como formas de expressão traduzem um conjunto de sensibilidades e sentidos, através de processos complexos de representação. Considera-se que a construção imaginária de uma identidade implica uma atribuição de significados, não apenas na articulação espaço/tempo, que resgataria as dimensões dos contextos, mas pela possibilidade de exploração de outros vetores de sentido que tornam dinâmicas as leituras e a exposição dos leitores a diversidades e a exploração das textualidades. Nesse contexto, importa referir que as narrativas são manifestações linguísticas da memória. Assim, os povos, em sua diversidade, são povos do narrar, podendo ser do aprender e de inscrever e transmitir conhecimentos em narrativas que, dessa maneira, são compreendidas como modos de significação do mundo, de manutenção e manifestação das memórias e um modo “pelo qual as pessoas organizam suas experiências no mundo social, seu conhecimento sobre ele e as trocas que com ele mantêm” (Bruner, 1997, p. 41). A narrativa oral, a oralitura (Leda Maria Martins, 2003), é um importante modo de afetação pela memória da construção de conhecimentos, através de conexões com o sagrado, manifestações e afetações espirituais e com o mundo, de modos de cura, como as rezas, as benzeções e as encantarias. A narrativa escrita, em geral, são as diversas manifestações escritas de narrativas, em diferentes sistemas e repertórios escritos, é conhecimento, é memória e é registro de memória e de conhecimento e, nesse sistema binário hierarquizado em que vivemos, é um importante espaço de inscrição de um conhecimento, até muito recentemente marginalizado. A narrativa sinalizada, a sinalitura, na diversidade das línguas de sinais, é um despertar para outros registros de conhecimento, de memória e de manifestação epistemológica e memorialística. Nossa proposta, com este dossiê, é reunir trabalhos que tomem a narrativa – oral, a oralitura, sinalizada, a sinalitura, e escrita – como central na confluência entre dizer, saber e fazer pela linguagem, e na confluência afro-indígena. Em ouras palavras, esperamos discussões focadas nas narrativas como loci epistemológico e pedagógico, de registro de memória, como construção de sentido e de significação de múltiplos universos (os pluriversos), como instrumentos que educam para um modo outro de viver em biointeração com o planeta.

Prazo limite para envio de trabalhos: 10/08/2026

Após aprovados e editados, os trabalhos serão publicados ao longo do segundo semestre de 2027.