DIREITOS DA NATUREZA E DIREITOS BIOCULTURAIS NO EQUADOR E NA COLÔMBIA A PARTIR DO PLURALISMO JURÍDICO DE JOHN GRIFFITHS

RIGHTS OF NATURE AND BIOCULTURAL RIGHTS IN ECUADOR AND COLOMBIA FROM JOHN GRIFFITHS' LEGAL PLURALISM

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/rfd.v50i2.86545

Palavras-chave:

direitos da Natureza; direitos bioculturais; pluralismo jurídico; John Griffiths; novo constitucionalismo latino-americano.

Resumo

Este artigo analisa o reconhecimento dos direitos da Natureza, como convivência dos sistemas de vida do pluriverso de mundos bióticos dos povos não ocidentais, e dos direitos bioculturais, no Equador e na Colômbia, sob a ótica da teoria do pluralismo jurídico de John Griffiths. A pesquisa questiona de que modo as experiências do Equador e da Colômbia, analisadas com base na distinção de Griffiths entre pluralismo jurídico débil e forte, podem contribuir para a ecologização do direito brasileiro, fundado no reconhecimento da natureza como organicamente viva e na coexistência convivial dos diferentes mundos bióticos que constituem o pluriverso. O estudo justifica-se diante da pandemia da crise climática global e, ainda, juridicamente, ao vislumbrar alternativas para a proteção da natureza no Brasil, mesmo diante de uma estrutura constitucional antropocêntrica, com base na realidade de outros países latinos. O objetivo geral consiste em analisar as experiências de reconhecimento dos direitos da Natureza e dos direitos bioculturais no Equador e na Colômbia, apontando possibilidades para a ecologização do direito no Brasil. O referencial adotado parte da teoria do pluralismo jurídico de John Griffiths, que desafia o mito do centralismo legal e distingue o pluralismo débil, controlado pelo Estado, do pluralismo forte, emergente de práticas sociais autônomas. A pesquisa utiliza o método dedutivo sob o marco da hermenêutica crítica. As técnicas incluem pesquisa bibliográfica, documental e análise jurisprudencial. Por fim, o estudo conclui que a positivação dos direitos da Natureza, por si só, é insuficiente se não for acompanhada por uma mudança nas práticas estatais, enquanto o reconhecimento jurisprudencial, por sua vez, se aproxima das práticas que Griffiths considera como um pluralismo forte. Uma necessária ecologização do direito brasileiro, que possibilitaria compreender o mundo não humano como um sistema dependente das relações entre todos os seres, deveria considerar a realidade colombiana, cujo direito, mesmo diante de uma Constituição de estrutura antropocêntrica, foi inovado por decisões que reconheceram, de forma mais efetiva, os direitos bioculturais.

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Biografia do Autor

Leandro Campêlo de Moraes, Universidade Federal de Goiás (UFG), Goiânia, Goiás, Brasil, campelomoraes@gmail.com

Doutorando e mestre (2018) em Direito Agrário pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Graduado em direito pela Universidade Federal de Goiás (2006).

 

Marcelo Fernández Osco, Universidad Mayor de San Andrés (UMSA), La Paz, La Paz, Bolivia, marcelo.f.osco@gmail.com

Possui graduação em Sociologia pela Universidad Mayor de San Andrés (1986), especialização em Segundo Diplomado Superior en Estudios Andinos pela Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales - Programa Bolivia (1991), mestrado em Arts pela Duke University (2005), doutorado em Romance Studies pela Duke University (2009) e mestrado-profissionalizante em Programa Docente de Postgrado pela Facultad Latinoameriana de Ciencias Sociales (1995). Atualmente é Professor convidado da Universidad Mayor de San Andrés.

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Publicado

2026-09-09

Como Citar

CAMPÊLO DE MORAES, Leandro; FERNÁNDEZ OSCO, Marcelo. DIREITOS DA NATUREZA E DIREITOS BIOCULTURAIS NO EQUADOR E NA COLÔMBIA A PARTIR DO PLURALISMO JURÍDICO DE JOHN GRIFFITHS: RIGHTS OF NATURE AND BIOCULTURAL RIGHTS IN ECUADOR AND COLOMBIA FROM JOHN GRIFFITHS’ LEGAL PLURALISM. Revista da Faculdade de Direito da UFG, Goiânia, v. 50, n. 2, 2026. DOI: 10.5216/rfd.v50i2.86545. Disponível em: http://revistas.ufg.br/revfd/article/view/86545. Acesso em: 17 out. 2026.

Edição

Seção

Artigos Científicos - Internacionais