O governo dos mortos ou a república dos vivos?

Thomas Paine e a crítica à autoridade hereditária

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/phi.v31i1.85764

Resumo

O artigo reconstitui o debate entre Edmund Burke e Thomas Paine sobre a Revolução Francesa para delinear uma teoria republicana centrada no problema da autoridade política intergeracional. Sustenta-se que, para além da oposição entre reforma e revolução, está em jogo uma divergência acerca da legitimidade entre gerações. Enquanto Burke ancora a ordem política na continuidade histórica e na autoridade herdada, Paine desloca a fonte da legitimidade para o consentimento presente dos vivos, rejeitando que qualquer geração possa vincular politicamente as sucessoras. Identifica-se em Paine uma concepção de soberania popular em chave republicana, articulada em duas dimensões: a liberdade como não-dominação, estendida à relação entre gerações, e a igualdade política, expressa na rejeição de privilégios hereditários e na defesa de instituições representativas permanentemente revisáveis. Ao examinar a crítica paineana à tradição e à autoridade histórica, argumenta-se que sua teoria antecipa elementos do republicanismo democrático contemporâneo ao condicionar a legitimidade à possibilidade de revisão institucional pelas gerações presentes. O embate explicita, assim, duas matrizes concorrentes da modernidade política (continuidade histórica versus soberania presentista) cuja dinâmica preside as concepções de autoridade, liberdade e igualdade.

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Biografia do Autor

Bruno Simões, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), João Pessoa, Paraíba, Brasil, brunocostasim@gmail.com

Possui graduação (2002), mestrado (2005) e doutorado (2010) em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Atua principalmente nas áreas relativas aos seguintes autores e temas: Thomas Hobbes, mecanicismo, movimento das paixões; Leo Strauss, pensamento conservador e democracia liberal; Carl Schmitt, extremismo político. Professor de Pensamento Crítico e Ética (2011-2014) do Insper.

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Publicado

28-08-2026 — Atualizado em 31-08-2026

Versões

Como Citar

SIMÕES, Bruno. O governo dos mortos ou a república dos vivos? : Thomas Paine e a crítica à autoridade hereditária. Philósophos - Revista de Filosofia, Goiânia, v. 31, n. 1, 2026. DOI: 10.5216/phi.v31i1.85764. Disponível em: http://revistas.ufg.br/philosophos/article/view/85764. Acesso em: 16 set. 2026.