Lacunas na liberdade
desigualdade e dominação no neorrepublicanismo de Philip Pettit
DOI:
https://doi.org/10.5216/phi.v31i1.85581Resumo
O presente artigo examina as limitações do neorrepublicanismo de Philip Pettit no enfrentamento da desigualdade socioeconômica. Pettit sustenta que a maximização da liberdade como não dominação é capaz de derivar, a partir de um único ideal normativo, tanto as exigências de liberdade quanto as de igualdade, dispensando princípios distributivos independentes como o princípio da diferença rawlsiano. A análise demonstra, contudo, que essa pretensão enfrenta dois conjuntos de objeções. Em primeiro lugar, o foco nas relações intersubjetivas de dominação revela-se insuficiente para captar formas de dominação estrutural e impessoal, especialmente vínculos de dependência econômica que persistem mesmo quando satisfeito o critério do “teste do olhar”. Em segundo lugar, ao adotar um padrão de justiça que pode ser considerado suficientarista, Pettit permanece compatível com desigualdades que o próprio liberalismo igualitário consideraria injustas, articulando uma teoria paradoxalmente menos exigente do que aquela que busca superar. O texto sugere que o enfrentamento dessas lacunas pode beneficiar-se tanto do alargamento das referências da tradição republicana quanto da apropriação de desenvolvimentos institucionais do liberalismo igualitário, como a democracia dos cidadãos proprietários.
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- 31-08-2026 (2)
- 28-08-2026 (1)
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