Construção de um Quadro Geracional para a Prática de Guzheng entre os Chineses da Malásia: Lugar Social, Memória Cultural e Transmissão Musical
DOI:
https://doi.org/10.5216/mh.v26.85290Palavras-chave:
Generational Analysis, Guzheng, Malaysian Chinese, Cultural Transmission, Social LocationResumo
No contexto social pós-colonial da Malásia, o guzheng ocupa uma posição central na tradição instrumental chinesa. Sua transmissão não constitui uma simples continuidade técnica, mas configura-se como um processo de reconfiguração estrutural moldado por transformações históricas. As pesquisas existentes concentram-se predominantemente em narrativas históricas lineares ou em relatos biográficos de figuras representativas, dedicando pouca atenção às diferenças estruturais entre distintas comunidades de prática musical. Como resultado, a prática do guzheng em contextos ultramarinos é frequentemente interpretada como uma extensão passiva da tradição chinesa, em vez de uma prática ativa de reformulação cultural. Com base em trabalho de campo etnográfico realizado em Kuala Lumpur e Penang entre 2022 e 2025, este artigo mobiliza o conceito de posição social de Karl Mannheim para construir um quadro analítico intergeracional que ultrapassa a simples delimitação cronológica por idade. Por meio da análise comparativa de trajetórias de aprendizagem, fontes de autoridade e formas de capital, o estudo identifica três padrões geracionais na prática do guzheng entre chineses na Malásia. A primeira geração apoiou-se principalmente em redes associativas e na memória diaspórica, fundamentando sua autoridade na maestria técnica incorporada. A segunda geração emergiu em meio a incertezas políticas e institucionais, desenvolvendo experiências de localização que redefiniram as funções sociais do instrumento. A terceira geração, formada em um ambiente globalizado, passou a estabelecer sua legitimidade por meio de certificações acadêmicas e capital cultural mediado por plataformas digitais. Argumenta-se que o cerne da transmissão do guzheng não reside na preservação de formas fixas, mas na transformação dos mecanismos de validação da legitimidade, particularmente na transição da autoridade baseada em marcadores sonoros da terra natal para qualificações institucionalmente certificadas. Ao enfatizar essas dinâmicas geracionais, o quadro proposto esclarece como o guzheng reconfigura continuamente sua autoridade cultural por meio de processos contextuais de rearticulação, oferecendo uma perspectiva estrutural para compreender a evolução das culturas musicais em diáspora.
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- 2026-08-07 (2)
- 2026-06-16 (1)








