Tomando os meios de escuta/aprendizado de máquina e IA agêntica
práticas criativas com conTorchionist e vibe composing
DOI:
https://doi.org/10.5216/mh.v26.85224Palavras-chave:
Escuta de Máquina, Sistemas Musicais Interativos, Pesquisa-criação, Tecnodiversidade, IA AgênticaResumo
Este artigo aborda os desafios impostos pela hegemonia de ferramentas comerciais de Inteligência Artificial (IA) do tipo “caixa-preta” na criação musical, visando contrapor a alienação inerente às plataformas de Software como Serviço (SaaS). A partir dos conceitos de mecanologia e tecnodiversidade, defendemos um engajamento crítico e inventivo com a tecnologia através da apropriação de infraestruturas de escuta e aprendizado de máquina. Para tanto, apresentamos a conTorchionist, uma biblioteca de código aberto, nômade e multiplataforma baseada em libtorch, projetada para unir a pesquisa em tempo diferido (Python) e ambientes de performance em tempo real (Pure Data, Max, SuperCollider). Além disso, introduzimos o conceito de “vibe composing” como uma metodologia no âmbito da pesquisa-desenvolvimento-criação e da pesquisa baseada na prática musical, na qual a programação de algoritmos assistida por IA agêntica constitui um gesto poético fundamental. Essa abordagem é exemplificada por meio de duas obras musicais, second nature (2025) e Eutrópia III (2025), que demonstram como o desenvolvimento de objetos técnicos idiossincráticos pode engendrar resultados estéticos únicos, variando da espacialização espectral ao controle neural de espaços latentes. Por fim, refletimos sobre como a tomada desses meios técnicos permite a artistas, particularmente no contexto do Sul Global, afirmar a sua soberania epistêmica e técnica, fomentando uma ecologia de invenção que resiste à padronização da era algorítmica.








