Tomando os meios de escuta/aprendizado de máquina e IA agêntica

práticas criativas com conTorchionist e vibe composing

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5216/mh.v26.85224

Palavras-chave:

Escuta de Máquina, Sistemas Musicais Interativos, Pesquisa-criação, Tecnodiversidade, IA Agêntica

Resumo

Este artigo aborda os desafios impostos pela hegemonia de ferramentas comerciais de Inteligência Artificial (IA) do tipo “caixa-preta” na criação musical, visando contrapor a alienação inerente às plataformas de Software como Serviço (SaaS). A partir dos conceitos de mecanologia e tecnodiversidade, defendemos um engajamento crítico e inventivo com a tecnologia através da apropriação de infraestruturas de escuta e aprendizado de máquina. Para tanto, apresentamos a conTorchionist, uma biblioteca de código aberto, nômade e multiplataforma baseada em libtorch, projetada para unir a pesquisa em tempo diferido (Python) e ambientes de performance em tempo real (Pure Data, Max, SuperCollider). Além disso, introduzimos o conceito de “vibe composing” como uma metodologia no âmbito da pesquisa-desenvolvimento-criação e da pesquisa baseada na prática musical, na qual a programação de algoritmos assistida por IA agêntica constitui um gesto poético fundamental. Essa abordagem é exemplificada por meio de duas obras musicais, second nature (2025) e Eutrópia III (2025), que demonstram como o desenvolvimento de objetos técnicos idiossincráticos pode engendrar resultados estéticos únicos, variando da espacialização espectral ao controle neural de espaços latentes. Por fim, refletimos sobre como a tomada desses meios técnicos permite a artistas, particularmente no contexto do Sul Global, afirmar a sua soberania epistêmica e técnica, fomentando uma ecologia de invenção que resiste à padronização da era algorítmica.

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Biografia do Autor

José Henrique Padovani, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil jhp@ufmg.br

José Henrique Padovani é Professor Adjunto do Departamento de Teoria Geral da Música  área: Composição  na Escola de Música da UFMG, onde atua também como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Música (linhas: 'Processos Analíticos e Criativos' e 'Sonologia'). Foi professor efetivo do Departamento de Música da UFPB (2012-2016) e do Departamento de Música do Instituto de Artes da Unicamp (2016-2017). É bacharel em Música (Composição) pela Escola de Música da UFMG (2006), e Mestre (2009) e Doutor (2013) em Música (Processos Criativos) pelo Instituto de Artes da Unicamp. Suas peças foram realizadas e premiadas, no Brasil e no exterior, por grupos como a Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, LArsenale, The Arditti Quartet, Ostravská Banda, Orquestra Sinfônica da Unicamp, Orquestra Sinfônica da UFPB, Camerata Aberta, e Sinfonieorchester der Musikhochschule für Musik und Theater Hamburg.

Vinícius César de Oliveira, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) Campinas, São Paulo, Brasil oviniciuscesar@gmail.com

Vinícius Cesar de Oliveira é compositor e doutorando em Música no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde também obteve seu mestrado. Sob a orientação do Prof. Dr. José Henrique Padovani, sua pesquisa concentra-se na apropriação criativa de técnicas de aprendizado de máquina (machine learning) e escuta de máquina (machine listening) no contexto da música mista e da eletrônica em tempo real (live electronics).

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Publicado

2026-07-09

Como Citar

PADOVANI, José Henrique; DE OLIVEIRA, Vinícius César. Tomando os meios de escuta/aprendizado de máquina e IA agêntica: práticas criativas com conTorchionist e vibe composing. Música Hodie, Goiânia, v. 26, 2026. DOI: 10.5216/mh.v26.85224. Disponível em: http://revistas.ufg.br/musica/article/view/85224. Acesso em: 8 ago. 2026.

Edição

Seção

Special Issue on the 19th Brazilian Symposium on Computer Music