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Sobre composição, performance, inteligência artificial
DOI:
https://doi.org/10.5216/mh.v26.84798Palavras-chave:
inteligência artificial, direitos conexos, criação, performance, cultura midiáticaResumo
O surgimento da esquizofonia (Schafer, 2001) trouxe a possibilidade de separar a performance do instante de sua realização, permitindo a repetição ilimitada, ad infinitum. A mediatização acústica passou a vincular indissociavelmente performance, escuta e memória. Com o surgimento da inteligência artificial, a natureza da criação desloca seu centro de referência: a música mediatizada não se limita à cópia ou à reconstituição de paisagens sonoras, arranjos e modelos performáticos; passa a permitir a inclusão de novas obras feitas a partir de amostragens. Com isto, desencadeia-se um processo de dissociação entre a obra e a performance. Assim, as múltiplas versões desvinculadas da original resultam em situações semioticamente complexas, além de questões éticas (direitos conexos de imagem e à voz etc.). Sob uma abordagem semiótica, cabe analisar em que medida o signo pode substituir o corpo e a voz reais. Selecionamos o videoclipe Now and Then, dos Beatles, e a peça publicitária Volkswagen: 70 anos – Gerações, com a participação de artistas já falecidos, como John Lennon e Elis Regina. Demonstra-se que, por meio da inteligência artificial (IA), os signos passam a ampliar, postumamente, a vida e a carreira dos artistas.








